Há um novo negócio em Portugal que teima em contrariar a crise: é o negócio das escolas. Não estou a falar das escolas, vá lá, tradicionais, onde se aprende a ler, escrever, biologia e matemática. Não, refiro-me às escolas onde se aprende, digamos, a brincar. Mas a sério, com saber. Onde se ensina, por exemplo, surf, winsurf, futebol, vela, remo, ténis, bodyboard, judo, robótica, rugby, piano, teatro, dança, ballet, saltos de trampolim, costura, pintura, patinagem ou artes plásticas. Com ciência, claro.
São escolas especializadas em fazer passar o tempo, seja na praia, seja no campo ou num barracão, e tudo o que é preciso: aulas, professores e propinas. São à séria e até lucram no Verão. Nas férias.
"Ora o que é que mudou? No meu tempo não era assim?", perguntam. Pois arrisco uma resposta: mudou o mercado dos pais.
Em tempo de aulas, e porque a escola não basta, o rapaz vai para escola do futebol, em vez de ir para a rua jogar futebol, ou para o judo, em vez de ir para rua lutar com os meninos da rua. Não acho mal. Até acho bem. Só não percebo onde é que estes professores aprenderam todas estas matérias. Em que escolas é que eles andaram?
Jornalista




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