Eleições Legislativas

Deus Pinheiro: "Seria muito benéfico uma coligação PS-PSD"

Publicado em 27 de Agosto de 2009   
Deus Pinheiro diz que uma coligação entre o PSD e o PS seria "muito benéfica para o país", caso o seu partido não tenha maioria absoluta nas eleições legislativas
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João de Deus Pinheiro regressa à política nacional, como cabeça-de-lista do PSD por Braga. À falta de uma maioria absoluta para os sociais-democratas e mesmo que o CDS seja um aliado mais "natural" o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Cavaco Silva apoia claramente uma coligação com o Partido Socialista: "A única maioria viável é uma maioria do Bloco Central".

Em que medida do programa do PSD se revê mais?

Revejo-me muitíssimo nas vinte medidas para as pequenas e médias empresas, porque são coisas concretas para se fazerem e não teorias.

António Borges disse, na Universidade de Verão, que o programa do PSD iria ser "deliberadamente prudente". Que medidas deveriam ser mais arrojadas?

Prudente, porque Manuela Ferreira Leite está absolutamente determinada a não fazer promessas que não possa cumprir. É melhor fazer mais do que se está a espera do que fazer pouco ou não fazer nada.

Se o PSD não conseguir uma maioria absoluta prefere um governo minoritário ou de coligação?

Qualquer dos dois pode funcionar bem. Tem de se fazer uma coligação um bocadinho como fazem os holandeses. Os holandeses demoram normalmente um mês a fazer um governo de coligação. Porque negoceiam as medidas mais contenciosas entre os partidos de coligação para antes de irem para o governo terem uma solução sobre esses contenciosos. Em Portugal temos pouco essa tradição. A tradição é mais de negociação sobre um ou dois temas e depois de distribuição das pastas. Mas se houvesse a possibilidade, com a mediação do Presidente da República, ou de alguém por ele nomeado, de os principais partidos, neste caso o Partido Socialista e o PSD, se sentarem à mesa e se entenderem sobre algumas questões cruciais para o futuro de Portugal, seria muito benéfico para o país. É quase um governo de salvação nacional que nós precisamos neste momento.

Um governo criado com a supervisão do Presidente da República?

Supervisionado é sempre. Um governo em que os dois principais partidos se pudessem engajar no conjunto de soluções ou de apostas em várias áreas. A justiça, que é uma calamidade, a educação, a saúde agora é que está um bocadinho mais calma mas vamos ver. Também na parte económica, que é uma parte decisiva. E ir com as medidas para a frente ou não, o que seria o caso das grandes obras que deviam ser postas no congelador para que não nos endividássemos mais e para que houvesse dinheiro para as pequenas e médias empresas.

Quais as grandes obras com que não concorda?

Não concordo com o TGV, o novo aeroporto e com mais auto-estradas. Em vez disso, podiam fazer-se pequenas obras com pequenas e médias empresas nacionais, de recuperação do património, escolas e hospitais, algumas estradas e caminhos rurais, tudo isso daria de facto trabalho e emprego a mão-de-obra nacional.

Falou num bloco central. Acha mais confiável um governo com José Sócrates do que com Paulo Portas?

Paulo Portas e o CDS estão neste momento mais próximos do PSD que o PS. Se houvesse maioria com CDS seria a maioria natural para o PSD. O que julgo é que face à situação do país e aos resultados das eleições a única maioria viável é uma maioria do Bloco Central.

Também fez parte de um governo do Bloco Central, entre o PS de Mário Soares e o PSD de Mota Pinto, como ministro da Educação. Como foi a sua experiência?

Foi excelente. Correu muito bem porque estive no sector da educação e tinha uma equipa de secretários de estado do PS e PSD que era excepcional. Gente que punha sempre o interesse nacional acima do interesse partidário. Uma equipa fantástica em que não havia distinção partidária. Nunca houve.

Leia amanhã toda a entrevista no i


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