Cerca de 100 embarcações manifestaram-se hoje na Arrábida, num desfile náutico, contra o regulamento do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida (POPNA), com os organizadores a defenderem que novos protestos se podem seguir.
“Estiveram presentes cerca de 100 embarcações, um pouco abaixo do que tínhamos previsto. Vieram cerca de 70 barcos de Sesimbra, alguns da Arrábida e poucos de Setúbal, talvez pelo medo das multas”, disse à Lusa João Belfort Cerqueira, um dos promotores da iniciativa.
Tal como já tinha acontecido há cerca de três anos, as embarcações dirigiram-se para a zona da Pedra da Anicha, em frente à praia do Portinho da Arrábida, em protesto contra o regulamento do POPNA e as restrições impostas para embarcações de pesca e de recreio.
“Nós estamos a favor do Parque Marítimo, estamos é contra o regulamento. O desfile de hoje correu bem, com os barcos todos em conjunto a desfilar até perto da Pedra da Anicha onde buzinámos e mostrámos cartazes, sem qualquer problema com a Polícia Marítima”, explicou.
João Belfort Cerqueira defendeu que a manifestação serviu para mostrar que “estamos vivos” e garantiu que estão disponíveis para negociar e discutir algumas alterações ao POPNA.
“Vamos ver se conseguimos sentar à mesa e conseguir algumas alterações. Não vamos baixar os braços e, se nada for feito, vamos montar, com tempo, uma coisa para cerca de 500 barcos em manifestação”, afirmou.
“Até ao momento não houve abertura do Parque para ouvir as nossas propostas”, acrescentou.
O promotor defendeu que o objectivo é “fazer parte da solução e não do problema”, explicando que as restrições impostas pelo POPNA causa dificuldades a pescadores e não deixa desenvolver o potencial turístico existente.
Mas não só de questões marítimas tratou o protesto de hoje. Também os problemas existentes em terra foram lembrados, como o lixo nas praias e acessos, as matilhas de cães vadios, o estacionamento caótico ou a falta de limpeza.
“O plano de ordenamento do Parque Natural da Arrábida, que tanta polémica suscitou quando foi implementado, votou ao completo abandono a parte terrestre do mesmo, concentrando-se todo o investimento unicamente no Parque Marinho Luís Saldanha”, refere um manifesto dos moradores da Arrábida, a que a Lusa teve acesso.




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