Os economistas ouvidos hoje pela agência Lusa consideram que será necessário fazer um Orçamento rectificativo, uma possibilidade afastada pelo Governo na quinta-feira, e duvidam que o défice fique nos 5,9 por cento, a previsão do Governo.
Na quinta-feira, o Executivo afastou a possibilidade de apresentar um Orçamento rectificativo e afirmou, durante a apresentação da execução orçamental de Janeiro a Julho, que a previsão de défice de 5,9 por cento, no final do ano, mantém-se.
Em declarações à Lusa, a economista Manuela Arcanjo afirmou que é "altamente provável" que seja necessário elaborar um orçamento rectificativo em Outubro ou Novembro.
"Não será necessário, porventura até às eleições [apresentar um Orçamento rectificativo], só se algumas variáveis da despesa ultrapassarem os valores inscritos no Orçamento", disse a ex-secretária de Estado do Orçamento. No entanto, Manuela Arcanjo diz ser "altamente provável" que em Novembro ou Outubro seja apresentado um Orçamento rectificativo, "já que o Orçamento para 2010 só vai ser apresentado no início do ano por causa das eleições".
Também o economista Nogueira Leite considera que será "praticamente inevitável haver um orçamento rectificativo".
"Era previsível, num ano como este, que isso [apresentação de um Orçamento rectificativo] tivesse de acontecer", disse Nogueira Leite, salientando que, nos últimos 15 anos, poucos foram aqueles em que não foi apresentado um Orçamento rectificativo.
"Dado os dados conhecidos e o padrão histórico, considero que é praticamente inevitável haver um Orçamento rectificativo, seja qual for a maioria que se constitua após as eleições" de 27 de Setembro, defendeu.
Para o economista João Duque, é certo que até ao final do ano será apresentado um Orçamento rectificativo.
"Vamos ter de ter um Orçamento suplementar ou rectificativo até ao final do ano. Isso é certinho", a menos que no quarto trimestre haja uma retoma mais pronunciada do que a actualmente esperada.
Relativamente ao objectivo do Governo de manter o défice nos 5,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), os economistas consideram que esta meta será ultrapassada.
"Os dados da execução orçamental apresentados [na quinta-feira] mostram que, provavelmente, vamos ter um défice acima da projecção de 5,9 por cento", disse o economista Nogueira Leite, estimando que o défice possa situar-se "na casa dos 6,5 por cento ou sete por cento".
Também a economista Manuela Arcanjo considera que, no final do ano, o défice "será, provavelmente, superior à meta [de 5,9 por cento] fixada pelo Governo.




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