Reportagem

Euromilhões com sabor a presunto - vídeo

por Enrique Pinto-Coelho, Publicado em 21 de Agosto de 2009   
Dois anos depois de ganharem 1,4 milhões de euros cada um, metade dos 29 empregados milionários continua na empresa
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A varinha mágica da sorte transformou os números 5, 13, 17, 40 e 43 num algarismo muito mais interessante: 41 023 864 euros, o montante do jackpot que foi parar à fábrica de presuntos e enchidos Joselito. "No início não dás bem conta daquilo que tens", conta Alberto, um dos 29 vencedores do sorteio realizado a 23 de Março de 2007. "Mas depois é uma alegria porque resolve problemas. Não é tanto dinheiro assim, mas chega para comprar um apartamento e alguns caprichos", admite.

Alberto ficou milionário antes de chegar aos 30. Começou a trabalhar na empresa há oito anos como peão, e hoje controla uma equipa formada por mais de uma dúzia de empregados, alguns mais novos do que ele. E alguns tão milionários quanto ele: os felizardos do Euromilhões receberam quase 300 mil contos cada um. O mais incrível é que, no dia seguinte às celebrações, regadas com champanhe Dom Pérignon, todos foram trabalhar.

"Foi um dia muito bonito, porque o prémio aterrou na minha gente - quase melhor que se fosse para mim, provavelmente mais porque eu não precisava dele", reconhece José Gómez, o patrão. "Festejaram num domingo e tinham de estar no dia seguinte às cinco da manhã no matadouro. Houve pessoas que fizeram uma directa, deram um exemplo incrível de dedicação à empresa", sublinha.

Dois anos mais tarde, metade dos novos milionários continuam a trabalhar na Joselito, mas nem todos dão a cara por questões de segurança. "Tenho um carro novo, comprei um terreno na aldeia para ampliar a casa, as férias são mais longas e vivo um pouco melhor, mas a minha vida continua igual", relata Carlos (nome fictício), um dos assalariados mais antigos da casa, que prefere não ser identificado. "Trabalho as mesmas horas com as mesmas pessoas, não mudou praticamente nada" insiste.

Alberto concorda com o colega mais velho. "Sou bastante novo mas, como já referi, é dinheiro, mas não o suficiente para o esbanjar. Gosto do que faço, sou feliz na fábrica e vou continuar aqui."

Ninguém chegou tarde nem faltou nunca ao trabalho depois do prémio. E mesmo aqueles que entretanto optaram por sair (15), não o fizeram imediatamente. "A primeira coisa que os trabalhadores disseram à imprensa foi que estavam em plena campanha de produção e que o empresário sempre os tinha tratado bem", recorda Ana Perucho, directora de marketing da Joselito.



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