Família

Pais preguiçosos educam crianças mais felizes

Publicado em 15 de Agosto de 2009   
Fique na cama, beba álcool e deixe o seu filho sozinho. Tom Hodgkinson diz que os miúdos serão criativos e auto-suficientes
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Educar os filhos é uma tarefa ingrata. A inconfidência já terá passado pela cabeça de qualquer pai ou mãe, nem que seja por fracções de segundo. Esfalfam-se a trabalhar para alimentá-los, vesti-los ou educá-los. E usam as horas livres que restam para estar com as crianças. À noite, depois de os miúdos irem para a cama, estão tão exaustos que adormecem frente ao televisor. Na manhã seguinte, a rotina está de volta. Para os mais stressados, chegou Tom Hodgkinson, o escritor inglês que quer acabar com essa angústia. O seu último livro - "The Idle Parent" [O Pai Ocioso] - tem como objectivo mostrar aos adultos que, quanto mais preguiçosos forem, mais felizes são os seus filhos.

Deixem as crianças em paz. Não existe qualquer razão para papás e mamãs gastarem tanta energia e dinheiro na educação dos filhos. Deixá-los sozinhos é suficiente para soltar a sua criatividade e ajudá-los a tornarem-se auto-suficientes. Aos fins-de-semana, fiquem até mais tarde na cama que é o melhor que fazem. Os miúdos que aprendam a comer sozinhos os cereais e, com o tempo, pode ser até que comecem a levar o pequeno--almoço à cama dos pais.

Esqueçam os brinquedos caros, os jogos didácticos, os livros ou as actividades extracurriculares como o ballet, o desporto, a música ou o teatro. Os mais novos entretêm-se com qualquer coisa: "Toda a gente conhece as potencialidades que uma caixa de cartão pode ganhar nas mãos de uma criança", argumenta o escritor, que é também o editor de "The Idle", uma publicação bianual vocacionada para as virtudes da preguiça.

Investir na escola é outro erro frequente dos pais, que cedem às exigências "opressivas" dos governos, apenas interessados em ocupar a vida da criança com exames, metas, aulas intermináveis e actividades extracurriculares. Tudo isso durante os anos em que as crianças deveriam usar a brincadeira para aprender. O pré-escolar prepara para a escola primária; a escola primária para o secundário; o secundário para a universidade; a universidade para o mercado de trabalho. Não sobra espaço para a fantasia nem tempo para os miúdos ficarem sozinhos. O ensino oficial é contra o direito de brincar, censura Hodgkinson, e aulas em casa são, portanto, a solução mais adequada para quem quer escapar à tirania do Estado.

O livro "The Idle Parent" começa com um manifesto que, entre muitos pontos, rejeita a ideia de que a paternidade e a maternidade implicam esforço e altruísmo. Ao contrário. Para levar adiante o estilo de vida que Tom Hodgkinson defende é preciso ser egoísta: "Não desperdicem dinheiro em brinquedos caros, continuem a beber álcool sem culpa, deixem de trabalhar a tempo inteiro e, pelo amor de Deus, gozem a vida", escreve o autor inglês.

O livro "The Idle Parent" não é só um elogio à ociosidade, mas sobretudo um caminho para encontrar a felicidade para toda a família. Implica abdicar de um emprego estável e de regalias. Se passa a vida a esticar o salário para sobreviver até ao fim do mês, a alternativa passa por reduzir as despesas com a prestação do infantário, com os brinquedos "caros e inúteis" e com os encargos com o automóvel. Use a criatividade para tornar o seu estilo de vida menos consumista e não fique tão dependente do seu emprego: "Foi isso que aconteceu comigo. Há uns anos tivemos o nosso próprio colapso económico, que acabou por ser uma experiência bastante divertida. Passámos mais tempo em casa, gastámos menos dinheiro e usámos a imaginação para entreter os nossos filhos", contou ao i o escritor inglês que vive no alto de uma montanha em Devon com vista para a costa do País de Gales.

O autor descreve a sua experiência no livro para demonstrar aos leitores que um estilo de vida menos consumista não é um delírio infantil. Hodgkinson, a mulher e os filhos - de três e oito anos - saíram em 2006 de Londres e passaram a viver no campo, rodeados de porcos, galinhas e da cadela Puppy. Até que ponto é possível saber se uma mudança tão radical é a melhor opção para o futuro das crianças? Respostas definitivas não existem, mas " The Idle Parent" pode até ser uma oportunidade rara para os pais stressados recuperarem a tranquilidade. Basta viver com o mínimo de regras e, acima de tudo, deixar espaço suficiente para os miúdos viverem em estado quase permanente de fantasia. Tudo isso, longe da educação convencional.

Leia mais em http://idler.co.uk/idleparent/



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