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Quando eles forem grandes

Publicado em 15 de Agosto de 2009   
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Um dia um dos meus filhos anunciou teatralmente: "Quando for grande quero ser homem do lixo. Quero andar a noite toda pendurado na parte de trás dos camiões." Não o desencorajei, mas também não voltei a tocar no assunto. Tenho outro filho que quer ser "arranjador de coisas" ou corredor de motos ou cozinheiro. Está confuso. Mas isto foi na semana passada, porque desde que aprenderam a falar já quiseram ser futebolistas, investigadores de peixes, sábios, reis e chefes. Também já se imaginaram a guiar autocarros, a servir gelados, a viver na selva com leões, na guerra a matar maus ou a limpar piscinas, por exemplo. Depende.

Perante estes delírios semanais, quase diários, deixei de ter ambições para os meus filhos. Eles que as tenham sozinhos. A esquizofrenia de gostos, quedas e jeitos para as mais variadas profissões é tal que se torna impossível desenhar um perfil válido para dois dias que seja. Agora já não vislumbro em cada desenho uma obra de Gaudí ou em cada toque de bola o meu menino no Real Madrid. Nada disso: retirei-me.

Aprendi a combater e a resistir ao vício maternal de encaixotar os filhos em classes profissionais: "Ora vejamos: este vai para engenheiro porque faz pontes com Lego ou para actor porque vê as novelas todas. Já aquele vai para astronauta: não é que ele já diz vruum e aponta para as estrelas? Genial."

Percebi que o meu esforço é inglório. Até porque eles têm jeito para tudo e a verdade é que ainda não fizeram os testes psicotécnicos.

Jornalista

 

 



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