A publicidade? A quem interessa?
por Nuno Jerónimo, Publicado em 11 de Agosto de 2009
ENQUANTO insistirmos no dejá vu, no conservadorismo, no politicamente correcto, no medo de dar nas vistas, no pensar pequeno, nas coisas pensadas e feitas à pressa, na imitação de maus originais, nas situações cliché, nas anedotas recauchutadas, nos actores de plástico, nas figuras públicas metidas a despropósito, nos diálogos lidos, no exagero dos adjectivos, nas rimas forçadas, no humor que nos deixa de mau humor, nas conversas que ninguém tem, nas pessoas que falam sempre a rir, nos assuntos metidos a martelo, no tom paternalista, nas legendas legais ilegíveis, nos cartazes com mais texto que algumas bulas de medicamentos, na poluição visual, na obsessão pelos focus groups, nas ideias aprovadas em comité, nas aprovações por check-list, nos anúncios que cumprem packs de objectivos, no desprezo pela criatividade, na prioridade à importação de ideias, nas campanhas feitas para agradar a conselhos de administração, nos concursos com vencedores antecipados, na masturbação intelectual de quem manda, nas mentiras veladas, no desprezo pelo briefing, nas mensagens irrelevantes, nos anúncios feitos de criativos para criativos, na forma sem conteúdo, no conteúdo de qualquer forma, no preço muito antes da qualidade e na ideia de que falamos sempre para consumidores imbecis, receio que já nem a estes a publicidade interesse.
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