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Site português põe chineses e americanos a trocar postais
por Luís Leal Miranda, Publicado em 10 de Agosto de 2009
Na era da internet, o Postcrossing conta com 100 mil utilizadores de 195 países que preferem trocar postais a enviar emails
Contas, publicidade, uma convocatória para a reunião de condóminos, mais contas. A visita a uma caixa de correio tem hoje em dia poucos encantos. Foi por isso que, em 2005, Paulo Magalhães e Ana Campos criaram o Postcrossing, um site de troca de postais que junta mais de 100 mil pessoas de 195 países. Para ser um deles, basta ir a www.postcrossing.com e fazer um registo. A cada novo utilizador é atribuída aleatoriamente a morada de outro membro - e as novas tecnologias acabam aqui: os passos seguintes já têm que ver com lamber selos. É altura de escolher o postal e enviar para o endereço que calhou na rifa. Por esta altura, já alguém recebeu ao acaso a sua morada, e pode estar a dias de receber um postal do Tuvalu (um atol da Polinésia Francesa que conta com três postcrossers), Antilhas Holandesas (são 15), Benin (quatro) ou Lesoto (uns honrosos 53) - mas o mais certo é que lhe escrevam da China, EUA ou Finlândia, países que compõem quase metade dos utilizadores do site.
E tudo começou "O projecto surgiu a partir do gosto do Paulo de receber e enviar postais", conta a outra fundadora do projecto, Ana Campos, por email a partir de Xangai. "Como é engenheiro informático, decidiu usar as suas capacidades para criar uma plataforma na internet onde pessoas com o mesmo interesse pudessem juntar-se e trocar postais entre si." O Postcrossing foi lançado em Julho de 2005 e quatro anos depois já se contam mais de dois milhões de postais trocados, uma média de 4 mil cartas entregues por dia, cerca de três por minuto.
Na era da internet, email, SMS, serviços instantâneos de trocas de mensagens e redes sociais, o correio convencional parece uma coisa do passado. Mas os fundadores do Postcrossing garantem que não o fizeram por nostalgia nem sequer por viverem muito longe de casa - Ana e Paulo já viveram na China, EUA e Holanda. "Ter uma coisa na caixa do correio que não sejam contas para pagar traz-nos invariavelmente um sorriso aos lábios", aponta Ana. Para o casal de portugueses, pensar que algures, uma pessoa escreveu um postal de propósito e o enviou a um estranho é outro dos atractivos do site: "É quase mágico", resumem.
Casamenteiros Apesar de ser baseado num algoritmo matemático que distribui aleatoriamente os postais pelo mundo - "num processo justo e variado", garantem - o Postcrossing já serviu para juntar pessoas que em princípio teriam apenas em comum a vontade de fazer visitas mais agradáveis à caixa do correio. Amizades surgiram depois das trocas de remetente, mas também há histórias de casamentos na comunidade postcrosser - que tem um fórum e organiza encontros nas mais diversas coordenadas do planeta.
Discreto, simples e barato, o Postcrossing tem servido para tornar o mundo um lugar mais pequeno. Um postal de cada vez.
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