Caldas da Rainha

Parem as máquinas: este prémio Secil está em risco de vida

Publicado em 06 de Agosto de 2009   
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Portugal não é conhecido por ser um país de grande arquitectura, apesar de ter grandes arquitectos e exibir edifícios premiados. Um deles - a Escola Superior de Arte e Design, nas Caldas da Rainha (ESAD), ganhou o prémio Secil em 1998 - foi desenhado por Vítor Figueiredo. O arquitecto morreu (1929--2004), mas se fosse vivo iria assistir ao que Siza Vieira, Graça Dias, Duarte Cabral de Mello e a vice-presidente da Ordem dos Arquitectos, Ana Tostões, temem ser "alterações profundas" que podem arruinar de vez o projecto original.

Para evitar o que temem ser uma desfiguração, estes arquitectos escreveram um email e, mais tarde, uma carta ao presidente do Instituto Politécnico de Leiria - que tutela a ESAD -, pedindo-lhe que a intervenção fosse antecedida por um "estudo rigoroso" e que, mais tarde, a reabilitação da escola fosse orientada por um arquitecto indicado pela Ordem e pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. Desta maneira, sentiam que o projecto de Vítor Figueiredo ficaria defendido.

Até hoje não receberam qualquer resposta. Na carta enviada em Junho, é reconhecida a urgência das obras perante a gravidade dos problemas: no Inverno, o frio é polar; no Verão, o calor é infernal junto às janelas mais expostas. Além disso, a tinta das paredes também já conheceu melhores dias e o conjunto do edifício precisa de recuperar o brilho inicial.

Perante a profundidade da reabilitação, este grupo de arquitectos recorda as dificuldades iniciais da obra, que sofreu o desmazelo do construtor - nos materiais e nos acabamentos -, além do orçamento apertado que condicionou as escolhas de Vítor Figueiredo. Nada, contudo, que impedisse a ESAD de ganhar o prémio Secil e de ser considerada um dos grandes edifícios do país.

Os malditos caixilhos Confrontado com a necessidade de fazer obras, o Instituto Politécnico de Leiria avançou para um concurso público - ainda em curso - com um orçamento de 2,8 milhões de euros. Questionado sobre o envolvimento de um arquitecto indicado pela Ordem, o presidente do instituto de Leiria, João Paulo Marques, respondeu ao i que a reabilitação será feita "por uma equipa de fiscalização externa e multidisciplinar". Quanto ao envolvimento da Ordem dos Arquitectos, nem pensar. Nem sequer admite o envolvimento do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, porque, não sendo um edifício classificado, "não está sujeito a qualquer consulta ou aprovação". Limitar-se-á, portanto, a seguir "as regras da contratação pública", omissas quanto ao cuidado arquitectónico.

Resultado, as caixilharias de ferro serão substituídas por caixilharias em alumínio, apesar de manterem o branco, e terão "um idêntico desenho visual", apesar de implicarem vidros duplos. Os arquitectos desconfiam e temem o pior; na escola, há quem ache até que os vãos das escadas e o pinhal à volta também serão alterados. Os responsáveis da escola negam.



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