Com muito mais fé que razão (em tom coloquial dir-se-ia com piada e a-propósito “com mais sorte que juízo”), o Sporting continua na luta por um lugar na Liga dos Campeões.
A história é conhecida e nem sequer inédita – a mesma Holanda, em 2005, já fora palco de um golo nos descontos que deu a final da Taça UEFA.
Passada a euforia que só a irracionalidade do futebol no momento do golo permite extravasar, os adeptos sportinguistas não estarão contudo descansados. Longe disso. A exibição voltou a ser pobre e a equipa desenvolve pouco. Metade da explicação está na ausência do verdadeiro Liedson. Sabe-se que o brasileiro, muito para lá dos golos que marca, é fundamental para o Sporting dos últimos anos. Por agora vai lutando como sempre, mas falhando lances banais como quase nunca.
A outra metade da explicação entra no campo especulativo, sobretudo para quem não é Paulo Bento e não conhece a equipa e os seus segredos como ele.
Para já, sobra de factual a ausência de vitórias até ao momento (com a devida licença do Atlético do Cacém) e o cinzentismo dos jogos. Sobra também a curiosidade aguçada por meia hora de Caicedo – bons detalhes no capítulo da garra, precisamente o que ia faltando à equipa.
O Twente foi melhor na eliminatória. Mesmo tendo jogado com dez durante um terço dos minutos, criou mais e melhores oportunidades de golo. Teve azar.
Sim: por mais científicos que sejam todos os treinos e cálculos e contas, há este factor meio aleatório que o futebol reserva para si (nos outros desportos é muito raro o melhor não vencer).
O Sporting, que só perto do fim a procurou com a ânsia que se impunha, teve a sorte do seu lado. Ao contrário de Liedson, que tem dado tudo e anda azarado, o Sporting deu pouco e teve grande fortuna. Como não a mereceu até agora, tem, no mínimo, a obrigação de saber merecê-la daqui para a frente.




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