Museu

Se gosta destas peças, tem mau gosto: são exemplos de arte má

por Hélder Beja, Publicado em 05 de Agosto de 2009   
É o melhor do pior: obras recolhidas no lixo e expostas no Museu de Arte Má, nos Estados Unidos. Esqueça o Prado, o Louvre ou o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque - eis a nova referência artística
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O que de mais elogioso pode dizer-se do Museu de Arte Má (Museum Of Bad Art, MOBA) é que começou num caixote do lixo. Em 1993, o antiquário Scott Wilson encontrou num contentor de Boston, EUA, um quadro a que deu o nome de "Lucy in the Field with Flowers" (Lucy no Campo com Flores), mostrou--o ao seu amigo Jerry Reilly e juntos decidiram coleccionar arte má.

As peças, principalmente pinturas, começaram a chegar de todas as partes: de amigos, de anónimos e também de associações de recolha de lixo. A ideia do museu nasceu um ano depois e hoje o MOBA, abreviatura propositadamente parecida com a do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MOMA), tem dois pólos no Massachusetts e uma colecção de 500 peças, 30 em exposição permanente.

"Enquanto todas as cidades têm um museu dedicado à melhor arte, o MOBA é o único que celebra o trabalho de artistas cujas obras não seriam expostas nem apreciadas em lado nenhum", explicou o co-fundador Jerry Reilly ao "Boston Globe". A obra-prima da colecção continua a ser "Lucy in the Field with Flowers", pintura a óleo sobre tela que deu o mote para a fundação do museu.

O slogan não engana: o MOBA é uma casa que expõe "arte demasiado má para ser ignorada". Todas as obras "devem ter a qualidade oh my god, a capacidade de espantar as pessoas", explica o curador do museu, Ollie Hallowell. O espólio do museu, que pode ser visitado em http://museumofbadart.org, oferece as piores paisagens, os retratos mais disformes e várias obras abstractas que fariam chorar de inveja muitos surrealistas.

No MOBA há "parâmetros exigentes para a arte", garante o curador que se define como "um coleccionador sério de arte má" e que até costuma recusar obras. Mas se gostava de ver uma das suas péssimas pinturas ou colagens entre a colecção deste museu norte-americano, atente aos requisitos: as peças devem ser sérias nas intenções, originais e conter erros técnicos significativos sem se tornarem enfadonhas ou incompreensíveis.

"É difícil ser-se muito bom mas também muito mau", brinca Ollie Hallowell. Que o digam os autores, quase sempre anónimos, das mais de 60 obras dispensadas e leiloadas pelo MOBA há dois anos. Cem pessoas compareceram ao leilão e as peças foram arrematadas por valores a rondar os 17 euros. Mesmo assim, trouxeram lucro à instituição, já que a política do museu proíbe qualquer nova aquisição cujo valor ultrapasse os 5 euros.

O sucesso do museu chegou a Melbourne, Austrália, à casa de Helen Round através de uma reportagem na televisão e, em 1996, nascia o Museu de Arte Particularmente Má (www.mopba.org). Este museu já angariou mais de 200 peças e, desde 2005, atribui anualmente o Prémio Itchiball, a pior entre as piores obras de arte.

Sem prémios, a colecção do MOBA foi publicada em livro: "The Museum of Bad Art - Masterworks". Ollie Hallowell resume assim a relação com os artistas: "Se recusarmos uma obra, o autor pode pensar que afinal não é assim tão mau. Mas se a aceitarmos, pode pelo menos dizer aos amigos que tem uma peça no museu." Nada mau.


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