Costa e Santana ajustam contas por Lisboa. E o futuro da cidade?
Publicado em 29 de Julho de 2009
Troca de acusações sobre o passivo ocupou maior parte do debate. Candidatos não se entendem
O debate durou 53 minutos e teve perto de meia hora dedicada a uma acesa troca de argumentos sobre as contas da Câmara Municipal de Lisboa (CML). Mas nem assim o assunto ficou esclarecido: António Costa continua a acusar Santana Lopes de gestão irresponsável; Santana Lopes acusa António Costa de faltar à verdade.
Entre picardias mútuas sobre o nervosismo do opositor, o montante actual do passivo da CML (1,5 milhões ou 1,7 milhões, consoante a perspectiva dos socialistas ou dos social-democratas) não foi referido uma única vez. Mas a culpa sobre o seu crescimento foi sucessivamente atribuída ao interlocutor. "Na gestão de Santana Lopes, a dívida aumentou significativamente: o passivo quase duplicou e as dívidas a fornecedores quadruplicaram", disse o candidato do PS no arranque do debate, acusando Santana Lopes de ter "levado à paralisia" da CML. "Como não podia financiar-se na banca, financiou-se nos fornecedores, não pagando", disse.
Santana Lopes contestou. "Nós assumimos as dívidas deixadas pelos executivos PS e agora acusam-nos de irresponsabilidade. E este executivo diz que arrumou a casa, mas a dívida é a mesma: a diferença é que transferiu a dívida aos fornecedores para a banca, com os acordos que pôde fazer agora e que em 2004 não eram permitidos", apontou o candidato do PSD.
Opiniões divergentes, mas iguais às já expressas nas últimas semanas de pré-campanha. Tal como as ideias expostas sobre a obra de cada um durante os respectivos mandatos. "Nós deixámos obra e António Costa não gosta disso, portanto vem para aqui falar do passado. É uma fórmula gasta", ironizou Santana. "Este mandato foi excepcional. Era para arrumar a casa e não para fazer obras de encher o olho", contestou Costa.
Méritos e deméritos. Entre o passado e o futuro da CML, várias acusações sobre o perfil dos interlocutores: "Você não sabe nada sobre metade da vida da CML", acusou Santana Lopes, depois de recordar as cedências de terrenos camarários que os executivos PS fizeram para pagar várias obras na cidade. "Não lhe fica bem não assumir a responsabilidade pelo que não fez e querer assumir a obra que não fez", disse Costa.
A discussão sobre os méritos e deméritos do túnel do Marquês também não foi esquecida. "Não discuto a obra, mas tenho pena de não estar acabada. E não está porque Santana Lopes só pagou 4 milhões e depois houve uma decisão do tribunal que obrigava a CML a pagar mais 23 milhões além dos 19 que estavam orçamentados, por atrasos nos pagamentos", defendeu o actual presidente da CML. Na resposta, Santana considerou "estranho" que Costa falasse deste assunto depois da "caldeirada de candidatura que inclui Sá Fernandes, uma pessoa que fez muito mal a Lisboa".
No fim do debate, as propostas para o futuro. Repovoar o centro da cidade, terminar as obras no Terreiro do Paço, aumentar a mobilidade dos cidadãos, reduzir o fluxo de carros e reabilitar os prédios devolutos? Os dois de acordo, mas com métodos diferentes. E argumentos muitas vezes sobrepostos: "Ou fala um ou outro, se não o telespectadores não percebem", pediu a jornalista da SIC, Clara de Sousa, a poucos minutos do fim do debate. Adriano Nobre
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