Portugal e Espanha juntos? 40% dizem que sim

Publicado em 29 de Julho de 2009   
Estudo da Universidade de Salamanca questiona portugueses e espanhóis e...
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Um em cada três espanhóis quer. Mas o casamento dos países tem mais adeptos entre os portugueses: 39,9% quer a junção dos países numa confederação, segundo uma sondagem realizada pelo Centro de Análisis Sociales da Universidade de Salamanca, ontem apresentada em Madrid. Porém, na mesma proporção em que os inquiridos espanhóis querem os países juntos, outros 30% são completamente indiferentes. Uma nuance em relação aos portugueses, que entre os 17,7% 363 inquiridos portugueses (876 no total) que consideraram que a ideia de federação lhes passava ao lado.

O facto de 30,3% dos espanhóis querer unir-se a Portugal surpreende Gabriel Magalhães, professor de Literatura Espanhola na Universidade da Beira Interior: "Estes resultados mostram que os espanhóis pensam que ao criarem uma federação com Portugal isso só iria aumentar os problemas e não resolver os que já têm", diz.

Mas se de um lado os espanhóis não querem mais problemas, os resultados revelados do lado de cá da fronteitra mostram o inverso: "Um estado de crise profunda actual do nosso país que na ausência de horizontes olha para o vizinho para resolver os seus problemas", defende Gabriel Magalhães. Por isso o investigador entende que era importante este estudo olhar também allém das percentagens e perceber o que motiva os portugueses: "Estes números revelam a vontade de fazer um casamento por interesse ou são um fascínio por Espanha?".

Mais fascinados ou não, os portugueses conhecem melhor a realidade espanhola, do que os espanhóis conhecem Portugal.

Mariano Férnandez Enguita, um dos autores do estudo fala mesmo em "desconhecimento mútuo", marcado pela sabedoria "trivial e banal", sobretudo do lado dos espanhóis.

Os resultados do inquérito confirmam-no: apenas 1,2% dos inquiridos sabia o nome do primeiro-ministro português e as três personalidades portuguesas que os espanhóis identificaram foram Luís Figo, Cristiano Ronaldo e José Saramago. Todos viveram - ou vivem - em Espanha.

casamento económico A questão da união entre Portugal e Espanha não é nova. Já em 2007, o mesmo Nobel da Literatura que os espanhóis reconhecem preconizava: "Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha", disse José Saramago em entrevista ao Diário de Notícias. E nessa união, uma Ibéria como o escritor a chamou, os laços seriam de conveniência. "Não deixaríamos de falar português, não deixaríamos de escrever na nossa língua e certamente com dez milhões de habitantes teríamos tudo a ganhar em desenvolvimento nesse tipo de aproximação e de integração territorial, administrativa e estrutural".

As respostas dos 363 inquiridos portugueses revelou que a ideia de cooperação entre os dois países tem picos de popularidade em função do tema. No topo das prioridades está a segurança: 85% dos inquiridos gostaria de ver maior colaboração policial, judicial e militar , seguida dos encontros periódicos entre empresários (81%). Também para Enrique Santos, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, a política podia ficar à porta:"Sou a favor de uma visão europeia. Não faz sentido caminhar para uma união política ibérica, mas antes para uma Península Ibérica forte, do ponto de vista económico", disse ao i.

Uma hipotética união entre Portugal e Espanha criaria o país com maior extensão territorial na União Europeia, o terceiro maior da Europa atrás da Rússia e da Ucrânia e o quinto maior, em termos de população, com mais de 57 milhões de habitantes, atrás da Alemanha, Reino Unido, França e Itália. O PIB do novo país resultaria na quinta maior economia da UE.


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