Crise. Europa prepara plano multibilionário para impedir colapso do euro
por titEdinimew382ZH titEdinimew414, Publicado em 25 de Setembro de 2011
Ideia é isolar Grécia, Portugal e Irlanda. G-20 quer solução em seis semanas
Dois líderes políticos europeus, Nicolas Sarkozy e Angela Merkel, estarão alegadamente a trabalhar, discretamente, num plano de emergência para restaurar a confiança no euro e que prevê a recapitalização maciça dos bancos, constituindo-se um fundo de resgate superior a dois biliões de euros para servir de "barreira" protectora ao contágio do incumprimento da Grécia e provavelmente de Portugal.
Segundo o Daily Telegraph, a Alemanha e a França, padrinhos deste novo pacote gigantesco, trabalham nos bastidores, para impedir que a "doença" se espalhe sistemicamente aos restantes países, nomeadamente à Espanha e Itália, cujas economias são demasiado grandes para serem resgatadas. O grande receio é que Espanha talvez já não consiga escapar incólume ao contágio e que seja a próxima vítima dos mercados, cuja lógica de matilha é semelhante à dos predadores que atacam a próxima presa mais frágil do grupo que perseguem. Economistas de topo já admitem que Espanha e Itália sejam forçadas a sair da zona euro. Em Washington, os líderes mundiais pressionaram a zona euro a resolver de imediato a crise, antes que esta conduza o mundo a outra recessão.
"É responsabilidade dos políticos europeus garantir que as suas acções impeçam o contagio da periferia da zona euro," disse, em comunicado, Guido Mantega, o ministro das Finanças do Brasil.
Na sexta-feira, o G-20 emitiu um comunicado, no qual as economias mais importantes do planeta, deram um prazo de seis semanas para que a zona euro resolva o problema até à próxima cimeira do grupo, em Cannes, no dia 4 de Novembro. O G-20 é actualmente presidido pela França, cujo presidente, Nicolas Sarkozy, deverá apresentar, antes da cimeira, como um todo, este derradeiro "plano B" para resolução da crise do euro.
O plano prevê que os bancos europeus sejam recapitalizados com dezenas de milhares de milhões de euros para tranquilizar os mercados e garantir que o default grego e eventualmente português não precipitarão a zona euro numa crise financeira sistémica.
Esta recapitalização será mais ampla e profunda do que a antecipada na Cimeira europeia de Julho. Agora fala-se num montante infinitamente superior aos iniciais 2,5 biliões de euros que o Banco Central Europeu (BCE) exigiu após os testes de stress da banca e que, dessa vez, não incluíam a banca francesa, excessivamente exposta à dívida grega. Na ocasião, ficou demonstrada uma razoável resiliência da banca portuguesa, com excepção de dois casos que necessitariam de aumento de capital.
A estimativa mais moderada para o próximo fundo de resgate europeu situa-se agora em vários biliões de euros. O comunicado final do G-20 declara que os países membros vão adoptar "acções para aumentar a flexibilidade do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF) para maximizar o seu impacto" até à próxima reunião ministerial de Outubro em Paris.
Nas reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM), na semana passada, em Washington, os líderes das economias emergentes não esconderam o receio fundado de um colapso eminente do euro.
Nos corredores das instituições de Bretton Woods, o ministro das Finanças grego, Evangelo Venizelos, disse que a Grécia poderá optar por reestruturar 50 por cento da dívida em obrigações (a absorver pelo BCE).
As economias emergentes admitiram, ainda que em privado, não duvidar do iminente incumprimento da Grécia, mas mostraram alguma esperança de que talvez Portugal e Irlanda escapem ao contágio imediato. Por isso, discretamente preparam-se para novo turbilhão financeiro, antecipando um cenário semelhante à crise de 2008. Apesar das promessas desesperadas de última hora, do Brasil ao Canadá, passando pelo Reino Unido, a maioria das grandes economias exteriores à zona euro já não confia na capacidade dos políticos europeus para resolverem a actual crise financeira.
Os líderes europeus, divididos por egoísmos nacionais, terão de resolver a questão de fundo, ou seja, saber se avançam para um orçamento comum ou se reforçam apenas a união monetária. Isto terá de ser decidido rapidamente, sob pena do euro implodir e da própria União Europeia correr risco de desintegração.
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