Ciclismo
Tony Martin. Cheio de energia e em excesso de velocidade
por Rui Catalão, Publicado em 22 de Setembro de 2011
Alemão foi campeão do mundo de contra-relógio pela primeira vez. Fabian Cancellara, vencedor de quatro dos cinco anos anteriores, ficou em terceiro
Em Cottbus há uma equipa de futebol chamada Energie, que joga na segunda divisão alemã. Coincidência ou não, energia foi o que nunca faltou a Tony Martin, nascido nessa cidade do Leste do país. Mas era ainda pequeno quando teve de fugir de lá, pouco antes da queda do Muro de Berlim. Agora é vê-lo, em cima da bicicleta, a acelerar sem cair, sobretudo nos contra-relógios.
Em Copenhaga, nos Mundiais de ciclismo, Martin apareceu para escrever uma história diferente daquilo que se tem visto nos últimos anos. A lista de vencedores era evidente: em cinco edições, Fabian Cancellara ganhara quatro - em 2008 nem sequer participou, alegando fadiga mental. Ora, desta vez o suíço estava lá. E nem isso impediu Tony Martin de se sagrar campeão do mundo pela primeira vez na carreira.
O alemão foi o penúltimo a arrancar para o percurso de 46,4 km - duas voltas a um circuito pelas ruas da capital dinamarquesa. Coube a Cancellara, campeão em título, a honra de encerrar a competição. Mas nem foi preciso esperar pelo fim da prova do suíço para perceber que o título ia direitinho para Martin. À passagem pelos cinco pontos intermédios, o ciclista da HTC-Highroad mostrava logo que não ia dar qualquer hipótese. E quando passou pela meta já festejava, sem receios, a medalha de ouro.
Martin foi rápido, muito rápido. Tão rápido que se andasse pelas ruas de Lisboa, por exemplo, já estaria em excesso de velocidade. Tão rápido que ultrapassou Mikhai Ignatyev, que tinha começado o contra-relógio três minutos antes dele. A média final (51,813 km/h) representa um novo recorde dos Mundiais - Martin andou 0,233 km/h mais depressa do que Cancellara tinha feito em 2009.
Com a época de ciclismo a terminar, é fácil dizer que Tony Martin se tornou o melhor contra-relogista da actualidade. Senão vejamos: só em 2011 ganhou as corridas contra o tempo do Tour e da Vuelta (não foi ao Giro), além de ter sido o vencedor final da Volta ao Algarve e do Paris-Nice (em ambas também foi o mais rápido no contra-relógio). Para completar o ano em cheio ainda ganhou mais duas etapas da especialidade (no Critérium do Dauphiné e na Volta ao País Basco).
Aos 26 anos, o alemão é agora um osso bem duro de roer para Fabian Cancellara, até aqui pouco habituado a ter adversários que lhe fizessem frente desta forma. Mas desta vez tudo correu mal ao suíço, que chega ao fim da época muito desgastado - fez das tripas coração para ajudar Andy e Frank Schleck no Tour e ainda esteve na Vuelta.
Cancellara apontou logo Martin como favorito. E tinha razão. O melhor que podia fazer era consolar-se com um segundo lugar nos Mundiais. Mas nem isso conseguiu. Na parte final do percurso foi contra uma barreira, atrasou-se e perdeu a medalha de prata para o britânico Bradley Wiggins. Os portugueses Nelson Oliveira (17.º) e Rui Costa (49.º) também estiveram presentes.
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