Seis derrotas em sete para Merkel nas eleições regionais alemãs
por Sara Sanz Pinto, Publicado em 19 de Setembro de 2011
Apesar de não ter perdido votos em Berlim, a CDU viu os seus parceiros de coligação, o FDP, sair do parlamento
Os sociais-democratas do centro-esquerda venceram a coligação conservadora de Angela Merkel nas eleições regionais em Berlim. Os resultados de ontem, a sexta derrota da chanceler alemã em sete possíveis - o único estado que a CDU conseguiu segurar este ano foi a Alta Saxónia, no leste do país, onde está coligada com o principal partido da oposição nacional, o SPD - deixam o governo de centro-direita sob pressão e com muitas vozes a pedir a antecipação das legislativas previstas para 2013.
De acordo com as sondagens à boca das urnas divulgadas pela televisão alemã ARD, o SPD alcançou 29,5% dos votos na capital do país, pouco menos que os 30,8% alcançados em 2006. A CDU ficou com 23,5% do eleitorado, mais dois pontos percentuais dos que foram obtidos na votação anterior, mas muito aquém dos 40% que o partido costumava alcançar em Berlim durante a década de 80 e 90. Já os Verdes conquistaram 18% dos eleitores na capital (um bom resultado em comparação com os 13,1% obtidos em 2006) e o partido da Esquerda (Linke) caiu de 13,4 para 11,5%.
O presidente da câmara de Berlim, Klaus Wowereit, consegue o seu terceiro mandato de cinco anos, com o apoio dos Verdes, como parceiros de coligação. Wowereit, que se tornou, em 2001, no primeiro líder abertamente gay de um estado alemão, é conhecido por ser uma figura popular com um carregado sotaque berlinense. Tem governado a capital associado ao Linke há dez anos e apesar do desgaste vai continuar por mais um mandato.
O elemento surpresa coube ao Partido Pirata - que fez a sua campanha em torno da reforma dos direitos de autor e da melhoria da privacidade na internet - e que surgido no nada obteve 8,5% dos votos. Fundado em 2006, o partido apostou numa comunicação irreverente, captando a atenção dos eleitores mais jovens. "Eles centram-se muito no liberalismo, na liberdade e na autodeterminação", explicou Holger Liljeberg do Info Polling Institute, à Reuters.
Além da esperada derrota para o SPD, a CDU de Merkel teve ainda outra desilusão com os liberais do FDP, o seu parceiro na coligação a nível nacional, a não conseguir obter 5% dos votos, o mínimo para garantir representação no parlamento regional.
"É inteligente mostrar alguma humildade perante este resultado", afirmou o vice-líder do FPD, Christian Lindner. "É um momento mau que serve também de alerta. Sabíamos que ia ser um ano difícil e isso foi confirmado de forma dramática", afirmou decepcionado com os resultados do partido, que sofreu na pele o descontentamento com a coligação governamental e a crise na Zona Euro: os liberais tiveram piores resultados em seis dos sete estados, tendo perdido representação parlamentar em quatro deles.
"A melhor parte dos resultados desta noite é que os eleitores mostraram ao FDP que não vão a lado nenhum com os ataques populistas contra a Europa", disse o presidente do SPD, Sigmar Gabriel, enquanto celebrava a sexta vitória do seu partido nas sete eleições regionais realizadas este ano. "Mostra que os eleitores são mais inteligentes do que os estrategas da campanha do FDP e que não se pode vencer uma eleição a fazer campanha contra a Europa. O FDP tentou fazer isso e fracassou", acrescentou. Também o líder dos Verdes, Cem Oezdemir, criticou o governo de Merkel: "Populismo antieuropeu não tem apoio na Europa e na Alemanha, graças a Deus, e isso são boas notícias para o nosso país".
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