"Aqui temos uma fábrica de gelados... Aqui outro lago. Aqui temos um esqueleto de uma baleia e, ali em baixo, estão 30 túmulos fenícios do ano 300 antes de Cristo". Cada vez que uma conversa do primeiro-ministro italiano chega a público, correm rios de tinta na imprensa italiana. Desta feita, não foi por menos. Berlusconi estava a fazer uma visita guiada pela sua Villa Certosa, na Sardenha, quando deu a conhecer aos convivas - entre eles a prostituta Patrizia D'Addario - os vestígios arqueológicos que tem enterrados no jardim.
Até as gravações serem publicados no site do L’Espresso, ninguém sabia do lugar de interesse histórico.
Os deputados, que se têm mantido afastados do escândalo sexual, levaram a questão ao Parlamento. Esta quinta-feira, Manuela Ghizzoni, responsável do Partido Democrata na Comissão de Cultura questionou o ministro da tutela, Sandro Bondi, pelo descobrimento arqueológico de "interesse excepcional", escreve hoje o Corriere della Sera.
Em Itália, as descobertas consideradas património arqueológico têm 24 horas para ser comunicadas ao município e à polícia.
"Acreditamos que o primeiro-ministro Berlusconi tenha respeitado todos os procedimentos legais e está a recuperar os preciosos túmulos fenícios. Por vias das dúvidas, apresentámos a questão no parlamento para que o ministro Bondi forneça toda a documentação sobre o caso", disse Ghizzoni ao diário italiano. "A verdade é que é muito curioso que a comunidade científica ignore totalmente um descobrimento assim tão importante", adianta.
Questionada pelo Corriere della Sera, a Associação Nacional de Arqueólogos do país sublinhou a importância da descoberta, que considera um dado importante para a expansão dos fenícios na Sardenha".




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