O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou, numa entrevista ao jornal austríaco Kurier, que o défice português é semelhante ao de “todos os outros países da União Europeia” e não compromete a Zona Euro.
Cavaco Silva encontra-se desde quinta-feira na Áustria, numa visita oficial que termina no domingo.
Na entrevista publicada hoje pelo jornal Kurier, o Presidente da República sustentou que “os mais pequenos e os médios” países da União Europeia, como Portugal e a Áustria, “são os que constituem o cimento da Europa”.
“Temos de aprender a falar a uma só voz”, defendeu.
Sobre os défices orçamentais, Cavaco Silva afirmou: “Portugal encontra-se numa situação semelhante à de todos os outros países da UE, mas de certeza que não comprometemos a Zona Euro”.
“Após esta crise, os défices têm de ser novamente reduzidos”, acrescentou.
O Presidente da República respondia a uma questão sobre os critérios de Maastricht respeitantes aos limites máximos de défice e de endividamento.
Questionado se entende que aqueles limites devem ser revistos, Cavaco Silva começou por responder que “o Euro é uma bênção para a Europa” e, em conjunto com o Banco Central Europeu (BCE), “um enorme êxito”.
“Com as moedas nacionais, na Europa teria havido uma concorrência agressiva entre os diferentes países e a crise ter-se-ia acentuado. O BCE disponibiliza a liquidez necessária para os bancos centrais. Estas foram as respostas adequadas à crise. Estar na Zona Euro é muito melhor do que estar fora dela”, completou.
Depois, sobre os défices orçamentais, afirmou: “Criticam-se países como a Grécia, e também Portugal, que afectariam a estabilidade do Euro com os seus elevados défices orçamentais. Contudo, outros países, como a Espanha, a Alemanha ou a Irlanda também têm elevados défices orçamentais”.
“Actualmente, o nosso Governo prevê para o presente ano um défice da ordem dos seis por cento e, segundo consta, a Áustria conta com um défice de aproximadamente cinco por cento”, referiu.
O Presidente da República acrescentou que “na presente crise em que vivemos, os estabilizadores automáticos têm de funcionar e, por conseguinte, aumentam as despesas” e, “por outro lado, verifica-se um decréscimo das receitas fiscais em situações de maior desemprego e as empresas registam menores lucros”.
“Portugal encontra-se numa situação semelhante à de todos os outros países da UE, mas de certeza que não comprometemos a Zona Euro”, concluiu.
Na mesma entrevista, o Presidente da República defendeu a necessidade “de um sistema de supervisão coordenado a nível mundial” e quanto à economia global previu que “haverá um período mais longo de estagnação, mas que será menor antes do final de 2010”.
Por outro lado, interrogado sobre “o que pode a Áustria aprender com um país com tão bom futebol como Portugal”, Cavaco Silva observou: “Não podemos enviar o Ronaldo para a Áustria, porque isso imporia ainda mais uma carga excessiva a todas as associações dos nossos países tomadas em conjunto”.
“Portugal ainda não conseguiu qualificar-se para o campeonato mundial da África do Sul”, lembrou, a esse propósito.




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