EDITORIAL

Abaixo as rosas, vivam as mãozinhas

por António Ribeiro Ferreira, Publicado em 12 de Setembro de 2011   
Mudou o símbolo, mudou a música, mudou a cor. Temos Partido Socialista
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O Partido Socialista arrumou a casa no congresso de Braga e António José Seguro tem agora todas as condições para fazer oposição ao governo de Passos Coelho e Paulo Portas. A tarefa não é fácil e o caminho vai ser muito longo. Os seis anos de governação de José Sócrates marcam um período negro da democracia e não basta ao PS fingir que o assunto ficou arrumado com a derrota eleitoral de 5 de Junho. Evidentemente que não ficou. Até hoje, ainda ninguém no PS fez um balanço sério do que se passou, apontou erros, falhas de políticas, de estratégias, de situações impensáveis num Estado de Direito. Um exercício salutar que poderia dar indícios sobre o que será o PS do futuro. Mais do mesmo com outras caras ou um partido moderno, com novas ideias, capaz de de-senvolver o país, libertar o Estado dos partidos e a economia do Estado. Neste aspecto, o congresso de Braga foi uma enorme desilusão para quem ainda sonha com uma alternativa de esquerda que não alimente o despesismo, os direitos mal adquiridos de muita gente, o Estado omnipresente na sociedade, o monstro insaciável que mata a economia, as empresas e as famílias. O que António José Seguro prometeu foi mais do mesmo, com o descaramento de quem esqueceu rapidamente as pessoas que foram para o desemprego, as famílias e as empresas que faliram, os novos pobres e os que andam de mão estendida para sobreviver. A bancarrota nacional atirou milhões para a desgraça por obra e graça do PS. É por isso que o lema do congresso, as pessoas estão primeiro, é uma provocação para os portugueses de direita, de esquerda ou de coisa nenhuma. António José Seguro mudou muita coisa em relação ao reinado de José Sócrates. Mudou a música, atirou as rosas para o lixo e foi recuperar as mãozinhas de Mário Soares, pintou o congresso de vermelho e fez muitos discursos de esquerda. Só não mudou o teleponto de Sócrates e a tentação irrestível de fazer do marketing uma alavanca da sua actuação como secretário-geral. Prometeu mais uma vez combater a corrupção com leis e muito diálogo, emocionou-se quando anunciou a criação do Laboratório de Ideias para Portugal, o LIP, como fez questão de frisar, e lembrou-se de arranjar um código de ética para os membros da direcção do PS e os candidatos socialistas às eleições. Sinceramente. Portugal não precisa de mais ideias, de mais códigos, de mais anúncios de combates à corrupção. Os diagnósticos estão feitos há muito tempo, as causas da corrupção estão mais do que descobertas e os corruptos também. O que faz falta é políticos com vontade de mudarem o estado das coisas. O que faz falta é políticos que conheçam a vida real, a vida das empresas, as dificuldades de investir em Portugal, a burocracia inimiga da iniciativa privada, que olha com desprezo e desconfiança tudo o que é privado, cria emprego e dá riqueza ao país. O PS de António José Seguro mudou o acessório e deixou intocável o essencial. O PS de António José Seguro pode ser muito estimulante para o povo de esquerda. Mas o PS de António José Seguro não será com certeza bom para o futuro de Portugal.


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