XVIII Congresso do PS

Seguro e Costa. Uma televisão foi pequena para os dois e o PS também não é muito maior

por Rita Tavares, Publicado em 10 de Setembro de 2011   
Os dois eternos rivais não se entendem e este sábado protagonizaram uma sucessão de episódios que mostram bem como união do PS na oposição está longe de ser dado adquirido
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Numa operação de charme o novo líder socialista foi ao final da tarde visitar a bancada da comunicação social e acabou por cruzar-se com o seu velho rival socialista António Costa. O presidente da Câmara de Lisboa estava em pleno comentário, num directo na TVI, e acabou por sair de cena deixando o palco para o líder socialista. Minutos depois acusou Seguro de estar “envolvido na teia mediática”.

Uma sucessão de episódios que marcou a tarde deste sábado do congresso socialista. Seguro circulava pelo primeiro piso do congresso, para “conhecer os bastidores da comunicação social”, dizia. Depois da bancada onde estão os jornalistas das rádios, correu os plateaux onde estão cada uma das três televisões generalistas, mas foi quando chegou à TVI que teve uma surpresa. António Costa estava a ser entrevistado, em directo, por Paulo Magalhães e Constança Cunha e Sá que mal viram Seguro dentro do estúdio logo o convidaram a sentar-se, ao lado de Costa.

Os dois socialistas são rivais de longa data e muito recentemente, no programa a “Quadratura do Círculo”, Costa disse mesmo não conhecer António José Seguro: "Sei quem é mas não o conheço bem. Não conheço o pensamento de Seguro". Certo é que os dois tiveram que se cumprimentar -­ um aperto de mão e um curtíssimo “tudo bem” - e o líder socialista acabou por ficar sentado à esquerda de António Costa. Mas o cenário não se manteve porque o autarca de Lisboa levantou-se logo: “Então se não se importam eu despeço-me… António José Seguro não precisa da minha presença”. Tão depressa que quase saiu com o microfone de lapela preso.

Mas o episódio não ficou por aqui. Quando Seguro já estava no espaço da RTP, Costa foi convidado a entrar, mas não quis e ficou à espera cá fora evitando cruzar-se de novo com o líder do PS.

A resposta de Costa veio depois. Em declarações aos jornalistas o socialista atirou forte: “Seguro representa uma nova etapa de intimidade entre a liderança política socialista e a comunicação social”. “Sócrates era, de facto, menos íntimo e mais concentrado nas pessoas e nos cidadãos e menos envolvido com a teia mediática”. E Costa não saiu sem antes rematar: “António José Seguro tem tido excelente imprensa, não precisa de a procurar mais”.

Momentos que mancham a “unidade” que tanto se proclamou neste dia de congresso, com vários socialistas a garantirem mesmo eu existe dentro do partido nesta altura. A relação de Seguro e Costa (um peso pesado do partido que apoiou Francisco Assis nas directas, depois de ter ponderado ele mesmo uma candidatura) mantém-se fria e distante. Durante a tarde António Costa já tinha falado ao congresso, cumpriu os mínimos, e saiu do palco sem cumprimentar o novo líder. Foi dos únicos oradores que não o fez.

Depois de tudo isto, já no palco do congresso, António José Seguro dirigiu-se ao lugar de António Costa e conversaram durante alguns momentos.



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