De pressa em pressa

por José Luís Nunes Martins, Publicado em 10 de Setembro de 2011   
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Hoje o tempo escasseia. No dia-a-dia (estranho conceito este!) adia-se o importante a favor do urgente, na ilusão de que depois de este ser ultrapassado se possa, então, tratar do que realmente vale. Puro engano. As urgências são uma constante da vida e será impossível chegar a ter uma vida boa se se adiar o que é importante. A monotonia embala o espírito num marasmo que faz com que não se viva quase nada - morre-se simplesmente, porque se adia o hoje sem consciência de que ele é inadiável... numa profunda esperança de que amanhã, talvez amanhã - mas só amanhã -, as circunstâncias se alterem e possamos então respirar um pouco do mundo... Espera-se quase sempre que seja o cosmos a mudar, como se fôssemos absolutamente incapazes de o fazer, nem mesmo pela nossa felicidade!

As crianças vivem como se o presente fosse uma dádiva infindável. Um presente. Não querem saber do passado e o futuro é apenas um depois. Apaixonadas pelo momento, vivem. Numa pressa de ser feliz, sempre. Talvez por isso a infância seja para tantos a última etapa da vida em que viveram de facto.

Há muitos sonhos asfixiados pelo tempo que jazem em câmara ardente debaixo das nossas almofadas.

Com pressa se cumpre cada hoje, e de pressa em pressa se acaba, tantas vezes, em depressão. Numa queda que também não o é, porque uma vida desprezada pelo próprio arrasta-se, mesmo quando não há consciência disso.

Investigador

Escreve ao sábado


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