Duas mortes no Bié, três jovens da UNITA detidos em Luanda

por António Rodrigues, Publicado em 09 de Setembro de 2011   
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A polícia angolana matou ontem a tiro duas pessoas e feriu outras seis quando carregou contra uma manifestação de proprietários de mototáxis no Bié, no centro de Angola, confirmou ontem ao i o secretário de Informação da UNITA, Adalberto da Costa Júnior. De acordo com a Voz da América, os mototaxistas protestavam contra a violência e a arbitrariedade usada pelas autoridades nas operações stop, que muitas vezes terminam com a apreensão dos veículos.

A polícia tentou impedir à força a realização do protesto e isso levou os manifestantes a entrarem em confronto com os agentes. Chegaram mesmo a apropriar-se de seis armas.

Ao mesmo tempo, em Luanda, o julgamento dos 21 detidos na manifestação de sábado prosseguia ainda ontem à noite, à hora de fecho desta edição, depois de um dia em que houve confrontos na rua entre polícia e manifestantes e três membros da direcção da JURA (Juventude da UNITA), incluindo o seu secretário-geral, Nfuka Muzemba, foram detidos, adiantou o porta-voz do partido do Galo Negro.

"Estavam a assistir ao julgamento e o Nfuka Muzemba, que estava em pé, foi convidado pelo 2.o comandante da Polícia Nacional [o comissário-chefe Paulo Almeida] a acompanhá-lo". Os dirigentes da UNITA foram ao sítio onde estavam os três jovens detidos saber da razão da detenção e o que receberam foi um encolher de ombros: "Mentiram-nos. Disseram que não tinham conhecimento de nada", acrescentou Costa Júnior.

Perto de um milhar de pessoas, entre familiares e gente convocada através das redes sociais, juntou-se frente ao tribunal da polícia na capital angolana. Empunhavam cartazes com palavras de ordem, entoando cânticos contra o presidente - "Zé Du bandido, o povo está cansado!" A polícia recorreu a cães para manter os manifestantes longe da porta do tribunal.

Dezena e meia de pessoas acabariam detidas depois de os manifestantes tentarem dirigir-se à embaixada dos EUA para protestar contra a repressão policial e a detenção dos dirigentes da juventude da UNITA. "A embaixada americana chegou a contactar alguns elementos da JURA para saber o que se estava a passar", referiu ao i o secretário de Informação do Galo Negro. "Esta reacção é um tanto surpreendente e mostra um excesso de nervosismo, um excesso de violação de direitos constitucionais. O regime começa a dar mostras de não conseguir lidar com os direitos garantidos pela Constituição", concluiu Costa Júnior.

 

O secretário-geral da JURA e dois outros líderes dos jovens da UNITA foram presos na sala de audiências

 

O embaixador de Angola em Lisboa, José Marcos Barrica, considerou hoje "naturais" as manifestações que se têm realizado em Luanda e rejeitou qualquer comparação com o que se passa no Norte de África porque Angola "não tem uma ditadura".

Em declarações aos jornalistas, o diplomata justificou, no entanto, que as detenções de manifestantes no sábado resultaram de "alguns incidentes decorrentes de algum extravaso da atuação das pessoas", mas considera que a situação está a ser "empolada".


antónio rodrigues antonio.rodrigues@ionline.pt



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