Situemo-nos: há um par de semanas o Sporting-Benfica que decidia o campeonato nacional de juniores foi interrompido devido a desacatos nas bancadas (ou melhor, numa bancada e em todo o baldio que rodeia o campo da academia do Sporting).
Ontem, o Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol decidiu punir as duas equipas com derrota. A consequência disto foi que o Benfica conquistou o título na secretaria, porque tinha dois pontos de avanço antes do jogo e portanto manteve-os.
O Benfica é assim campeão, salvo diferente e melhor decisão do Conselho de Justiça (há recurso), mas podia perfeitamente ser ao contrário. É irrelevante para o que quero dizer. Como é irrelevante o facto de terem sido os adeptos do Benfica a causar os problemas. Como sabemos, as claques de qualquer clube, nomeadamente dos três principais, seriam perfeitamente capazes de fazer exactamente o mesmo.
Nada nos diz que o Benfica não empataria ou ganharia o jogo – seria campeão na mesma. E é aqui que entramos nos princípios devassados:
- É lamentável que uma prova nacional tenha um campeão sem jogo, sobretudo se o jogo estava por disputar. Casos houve em que factos conhecidos a posteriori determinaram alterações em classificações. Antes de se jogar é que é complicado.
- O jogo foi interrompido, portanto qualquer dose normal de bom senso apontaria para a realização de novo jogo ou o reatar daquele que se disputava e foi interrompido durante a primeira parte
- Trata-se de uma competição jovem, disputada por jogadores e homens em formação. Que aprenderam eles com isto, que exemplo se lhes deu?
- De hoje em diante quantas vezes os adeptos de equipas a quem convenha que os pontos fiquem como estavam antes dos jogos vão tentar interrompê-los recorrendo ao mesmo expediente?
- Sem duvidar de que o CD seguiu os regulamentos, a pergunta é simples: entre multas, suspensões, jogos à porta fechada, repreensões e castigos não seria mesmo possível deixar os miudos decididrem o campeonato dentro de campo?
Tem a palavra o Conselho de Justiça




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