Em momentos críticos da existência humana, a superficialidade desvanece-se e deixa expostas as mais fundas dimensões de cada um. Uma aparente pobreza, cheia de silêncio e simplicidade, que muitos passam a vida inteira a tentar alcançar exteriormente através de aquisições materiais...
Uma crise material pouco pode atentar contra o que é realmente importante. A incontornável insatisfação do consumismo cessa quando o sujeito compreende que, pelas contingências dos momentos de maior adversidade económica, pode e deve fazer um caminho interior; destruindo todas as camadas de superficialidade com que tentava alcançar a paz e descobrindo que afinal cada um desses fragmentos só o vai escondendo e asfixiando. Pureza não é pobreza.
O que há de bom numa crise? A descoberta de tantas coisas simples que são melhores e mais belas que aquilo que só o ouro compra.
Ser feliz é estar-se plenamente preenchido, transbordante, mas, para que isto suceda, precisa a alma de ser esvaziada do lixo que por lá possa estar entranhado. Só o coração espaçoso e arejado do humilde está preparado para receber, abraçar e retribuir o melhor da vida. A luz só brilha onde há espaço.
Mesmo num cenário apocalíptico de podridão generalizada, haverá sempre, mas sempre, um conjunto de pequenas sementes que se há de alimentar da degeneração que o circunda, para dar ao mundo flores de formas, cores e aromas... sublimes.
Investigador




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