IRS sobe 2,5% para quem ganha mais de 153 mil euros. Mais 3% de IRC para grandes lucros

por Ricardo Paz Barroso, Publicado em 31 de Agosto de 2011   
De novo estavam prometidas grandes reformas ao nível da despesa do Estado, mas de novo as únicas medidas concretas anunciadas pelo Ministro das Finanças foram ao nível da receita fiscal
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A taxa de desemprego vai subir até aos 13,2% em 2013, mas no ano a seguir vai apresentar tendência de descida, segundo anunciou hoje o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, no momento da apresentação do Documento de Estratégia Orçamental, com a principais linhas orientadoras até 2015, aprovado em Conselho de Ministros na terça-feira.

 

Gaspar revelou ainda que a economia portuguesa vai sofrer contracções no seu crescimento na ordem dos 2,2% este ano e 1,8% para o próximo.

Só em 2013 é que o crescimento voltará à economia portuguesa, estando previsto pelo governo uma percentagem de 1,2% para esse ano, 2,5% em 2014 e 2,2% em 2015.

 

Quanto ao rácio da dívida pública no PIB português, Gaspar revelou que aquele será de 100,8% este ano; 106,1% em 2012, 106,8% em 2014 e 105% em 2014.

 

A redução da despesa do Estado vai ser, segundo o documento agora apresentado pelo governo, vai ser de 7%, ou seja, "para 43% em 2015, um corte sem precedentes".  

 

E a redução do número de funcionários públicos será de 2% entre os anos de 2012 e 2014, mantendo-se os salários congelados até 2013.

 

Vítor Gaspar especificou ainda que o imposto extraordinário de solidariedade em sede de IRS para o escalão mais elevado traduz-se num aumento de 2,5%, passando dos actuais 46,5% para os 49%. A isto soma-se o facto de que os dois últimos escalões da colecta do IRS deixam de poder fazer deduções com saúde, educação e imobiliário. Esta "solidariedade" vai durar um ano.

 

No caso do IRC, vai haver um agravamento da derrama estadual para as empresas que apresentem lucros mais altos, sendo o agravamento na ordem dos 3% sobre a parte do lucro tributável superior a 1,5 milhões de euros, também durante um ano.

 

Com estas medidas solidárias ao nível do IRS e IRC vão representar um acréscimo nas receitas na ordem dos 100 milhões de euros.

 

O governo vai também aumentar a tributação sobre as mais-valias, passando dos 20% para os 21%, igualando-a assim às restantes taxas liberatórias.

 

No Documento de Estratégia Orçamental prevê-se ainda a redução do número de empresas do Estado na ordem dos 20%. O universo total de empresas do Estado é de 94 empresas. A secretária de Estado do Tesouro diz que esta reduação poderá passar pela extinção, fusão e privatização em alguns casos, sendo ainda "prematuro enunciar quais".

 

Garantido por Gaspar está a inclusão da REN, EDP e GALP no primeiro lote das privatizações.

 

Em matéria de Parcerias Público-Privadas (PPP's), a secretária de Estado do Tesouro anunciou na mesma conferência que foi feito um relatório que analisou 36 PPP's, análise que hoje mesmo vai ser entregue à troika, sendo divulgado só depois da troika aprovar o seu conteúdo.

 

Gaspar diferenciou as situações de défice público nos dois arquipélagos autónomos, declarando a situação da Madeira como "insustentável", alertando para a necessidade de encontrar uma solução e que "se actue rápido". Vítor Gaspar acrescentou ter "indicações que a Madeira está disponível para participar nesse esforço".



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