Eleições legislativas
Programa de Ferreira Leite: "Vai ser enxuto, curto. Não promete tudo"
por Patrícia Silva Alves, Publicado em 23 de Julho de 2009
A líder do PSD antecipa o programa: "Será focado nas prioridades que nos comprometemos a cumprir." E não diz mais
Sem pressas, nem falsas promessas. O novo programa eleitoral do PSD - pronto em Julho e apresentado em Setembro - é "enxuto, pequeno e focado". Não é, garante ao i Manuela Ferreira Leite, "um programa que faça promessas em todas as direcções", nem um documento exaustivo e detalhado. A três meses das próximas legislativas, a estratégia é outra: o PSD quer apontar prioridades e guardar para mais tarde os pormenores. "Os programas eleitorais juram resolver tudo, todos os problemas do país", critica a líder social--democrata. "O nosso revelará as prioridades que nos comprometemos a cumprir."
Em 2005, o manifesto social-democrata tinha 104 páginas e chegava ao detalhe de querer fazer do português língua oficial das Nações Unidas. Com a coordenação de António Mexia, o "Contrato com os Portugueses" de Santana Lopes nunca chegou a ser governo. Em 2009, o rumo é outro. Indiferente às críticas do PS - que tem acusado Ferreira Leite de não apresentar propostas concretas - o Instituto Francisco Sá Carneiro preparou ideias para áreas como a justiça, a saúde, políticas sociais e apoios às PME.
Será dessas propostas - e do que resultar dos fóruns Portugal de Verdade e do contributo da sociedade civil - que sairá a base do futuro programa, coordenado por Paulo Mota Pinto, com a colaboração dos vice-presidentes do partido Sofia Galvão, António Borges e do próprio presidente do Instituto Sá Carneiro, Alexandre Relvas.
Antes de o programa ser tornado público, os social-democratas vendem uma certeza: "O partido não apresentará no seu programa uma única linha que não seja para cumprir." A garantia é dada por Paulo Mota Pinto. Nas últimos meses tem sido recorrente a crítica social-democrata à falta de acesso a dados estatísticos do governo. Também por isso - e apesar de o programa económico ser uma das prioridades para Ferreira Leite - não há pressa em tomar decisões pouco consonantes com os números reais.
Fora do programa oficial, como já adiantou o i, deverá ficar a referência a eventuais coligações pós-eleitorais do PSD. Apesar de essa possibilidade ter sido avançada - Paulo Rangel foi o primeiro a ver com bons olhos um eventual acordo com o CDS - o texto deverá expurgar quaisquer referências que condicionem a futura estratégia.
De fora também deverão ficar algumas das propostas feitas pelo Instituto Sá Carneiro. Nas últimas semanas, e apesar das ideias para a área da justiça e da saúde, entre outras, Alexandre Relvas tem tido o cuidado de separar o trabalho inicial do programa final, algo que a actual direcção também faz questão de frisar para se afastar do trabalho feito pelo ISFSC. Logo quando foram conhecidas as primeiras propostas para a área da saúde, o PS - por intermédio do ministro Silva Pereira - criticou aquilo que seria "o fim do Serviço Nacional de Saúde (SNS) universal e tendencialmente gratuito".
Ontem, as críticas do PS (ver caixa) à falta de medidas concretas por parte do PSD tiveram a resposta de Fernando Negrão. "Já foi dito pela presidente do partido que o programa eleitoral será apresentado oportunamente, e por isso continuaremos a ouvir as várias entidades responsáveis pelos sectores mais variados do país."
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