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PSD dividido sobre proposta de Cavaco Silva de taxar heranças

PSD dividido sobre proposta de Cavaco Silva de taxar heranças

por Sónia Cerdeira, Publicado em 28 de Agosto de 2011   
CDS mostra-se contra imposto sobre as heranças e doações, extinto no governo de Barroso. PCP propõe taxar apenas "grandes heranças"
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Os deputados do PSD estão divididos quanto à ideia do Presidente da República de voltar a taxar as heranças e doações. Já o CDS-PP mostra-se totalmente contra.

"A passagem do património de geração em geração não deve gerar o pagamento de um tributo porque já foi tributado em sede de IRS. Enquadra-se na lógica da protecção da família e portanto não sou favorável a esse imposto", afirma ao i a vice-presidente da bancada do PSD, Francisca Almeida, frisando que esta é a sua opinião pessoal. Contudo admite que "estamos num momento de excepção e todas as possibilidades devem ser ponderadas".

Duarte Pacheco, secretário da mesa da Assembleia da República, alinha no mesmo sentido: "O caminho principal deve ser o de redução da despesa mais do que ir pelo agravamento da carga fiscal." Opinião partilhada por Nuno Reis, deputado na comissão de Orçamento e Finanças: "Há várias formas de taxar os mais ricos que não passam pelo imposto sucessório. Recordo que foi um governo PSD/CDS que acabou com esse imposto."

As opiniões divergem no seio da bancada social-democrata. "Não discordo da proposta do Presidente da República, sobretudo se for a partir de determinado montante. É uma forma de reinvestir na economia", aponta Duarte Marques, líder da JSD. Também Guilherme Silva, vice-presidente da Assembleia da República, concorda com Cavaco Silva: "É evidente que numa situação de crise haja por parte do Estado a necessidade de alargar a tributação que garante receita." E acrescenta: "O imposto tem uma vantagem. A tributação faz-se sobre um património que quem paga não foi o mentor da sua construção e portanto ia beneficiar de uma vantagem sem contrapartida." Mas para o deputado tem de haver excepções: "A isenção nas relações de parentesco mais próximas deve ser mantida e devem ser encontrados mecanismos de modo a que as pequenas transmissões não sejam tributadas."

Se no PSD há divergências, o CDS tem uma posição clara: é contra. "A proposta do Presidente da República não faz sentido, porque a morte de uma pessoa não pode ser um facto tributário", diz o vice-presidente da bancada centrista, João Almeida. O imposto sobre as heranças foi extinto em 2003, no governo de coligação de Durão Barroso, por insistência do CDS. À data era ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite, mulher de confiança de Cavaco.

Já António José Seguro voltou ontem a desafiar Passos para aprovar as propostas do PS que foram chumbadas há um mês, e as que vão voltar ao parlamento sobre a taxação de rendimentos. O PCP defende o imposto sucessório mas apenas para as "grandes heranças". "A extinção do imposto beneficiou sobretudo as grandes fortunas", afirma o deputado comunista, Honório Novo.

Ontem o governo esteve reunido e, segundo noticia o "Expresso", prepara-se para anunciar um agravamento fiscal sobre os rendimentos e património dos mais ricos - a incluir no próximo Orçamento do Estado.


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