"A pornografia está no cérebro de todos os homens. Até do Bagão Félix"

por André Rito, Publicado em 28 de Agosto de 2011   
Começou na rádio aos treze anos e diz que esse é o seu verdadeiro talento. Lançou livros, tem uma revista, a 365, e adora jogar futebol. "Sou o Drogba de Campolide."
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Foi uma entrevista arrancada a ferros. Depois de muitos telefonemas, marcações e desmarcações, lá conseguimos sentar Fernando Alvim, 37 anos, numa esplanada perto da sua casa, em Campolide. Chegou com cara de sono porque disse que tinha estado a trabalhar até às tantas da manhã. Mas acabou a meter os pés pelas mãos.

Desculpa o atraso. Agora tenho uma editora, estou a mil. Daqui a uma hora tenho de estar na rádio. Mas dá para fazermos isto na boa.

Importas-te que fume?

Não, podes fumar na boa. Eu só fumo socialmente,mas fumo muito. Ainda ontem saí e fumei meio maço. Só fumo quando bebo.

Mas não disseste que tinhas estado a trabalhar?

Calma lá, e estive, isso foi depois, quando terminei. Ainda estou a perceber como funciona o sistema de distribuição das editoras. É muito trabalhoso, os canais de distribuição são fundamentais para o êxito do livro. Não interessa disparar para toda a parte, o importante é estar nas Fnac''s, Bertrands e Bulhosas desta vida. É como ires a uma área de serviço: se vais à Mealhada pagas seis euros por uma sandes de leitão. Porquê? Porque ou comes ali ou não comes, são monopólios.

A editora é para os teus livros?

Para os meus e de outros autores. Vamos fazer o Grande Livro dos Prefácios, é uma ideia minha coordenada pela Ana Sousa Dias. No fundo, é um livro que nunca acaba de se iniciar, fica sempre pelo prefácio, um exercício de estilo interessante. Também vou editar o livro do Bruno Aleixo, com as crónicas da Aleixo FM, na Antena 3, o do Henrique Dias e Frederico Pombares, "É como diz o outro", que participavam no 5 para a Meia-Noite.

Porque te lembraste de fazer uma editora?

Gosto de ser independente, sempre fui assim. No meu primeiro livro, editado pela Esfera dos Livros, mandei fazer cartazes e distribui-os por todo o país, para o divulgar bem. Resultou de tal modo que o livro esgotou antes do Natal. Isto pode parecer uma boa notícia, mas não foi. Eram quatro mil exemplares e sinto que morri na praia. Se estava numa editora de grande nível, e aquilo aconteceu, pensei que não valia a pena, porque numa editora minha isso não aconteceria. E as editoras maiores sofrem do síndroma das grandes coisas, não têm um tratamento individualizado contigo. As estruturas mais pequenas acabam por cuidar melhor. Com a minha editora pequena consegui chegar às grandes lojas. Claro que o facto de ser um indivíduo conhecido ajudou.

Gostas de ser um tipo conhecido?

Não é uma cena que me incomode ou embarace, mas também não vivo em função disso. Gosto que o meu talento seja reconhecido e que as pessoas tenham à- - vontade para me abordarem e falarem comigo. E é isso que acontece, De tal modo que muitas vezes me interrogo se será assim com toda a gente. Comigo ninguém tem reservas de o fazer.

Porque achas que isso acontece?

Porque as pessoas acham que eu sou na rua aquilo que aparento ser na rádio e na televisão. Quem apresenta programas em directo não pode ser muito diferente do que é na realidade. Como disfarças a tua personalidade em directo? Agora, num programa gravado, sim. Há pessoas que são muito divertidas com um teleponto ou a ler um texto, mas na vida real não são nada, não são divertidas, são fake. Acredito que esse tipo de comunicador está em clara via de extinção.

Qual é o teu talento?

A única coisa que sei fazer bem, e que posso esgrimir argumentos para dizer com propriedade "eu sei fazer isto e você está enganado", é na rádio. A partir daí, já não tenho a certeza de absolutamente mais nada. Gosto de escrever, fazer televisão, mas não são meios que eu domine em absoluto. E quando digo que domino a rádio, não quero que seja entendido de forma pretensiosa. O facto de fazer rádio desde os treze anos dá-me essa obrigação.

Como foste parar à rádio?

A casa dos meus pais era em Gondomar, mesmo ao lado de uma rádio. E, na altura, eu só pensava em jogar à bola, que era um dos meus maiores vícios. Jogava de manhã à noite, mas acabei por ir para a rádio. Lá está, sou um bom jogador porque tenho obrigação de o ser, jogava todo o dia. Sou o Drogba de Campolide. As pessoas ficam muito admiradas quando me vêem jogar. Já ouvi pessoas a dizerem: "o quê? Este gajo joga à bola desta forma?" É impensável, a minha personalidade não tem nada a ver com isso.

Jogas muito?

Sim, uma ou duas vezes por semana. Futebol de cinco ou de sete, não interessa. Para uma boa partida de bola estou sempre pronto.

E marcas muito golos?

Sim, claro. Sou um ponta-de-lança.

Daqueles que estão sempre na "mama", portanto.

Um misto das duas coisas, mas corro, sou muito lutador. Sou o pesadelo de qualquer guarda-redes, um ponta de lança de raiz, porque crio mesmo raizes na área. Só corro até ao meio- -campo, a própria equipa não quer que venha para trás. Sabem que se a bola for para a frente eu sou competente na minha função. Detesto perder, não consigo jogar à bola a brincar, não vou a jogos de solidariedade. O meu objectivo é ganhar o desafio.

Daqui a pouco mais de 45 minutos vais para a Prova Oral. Qual vai ser o tema?

Hoje é o dia mundial das redes sociais e vai ser esse o nosso tema. Pela primeira vez no programa vamos colocar uma ligação via skype. Muita da revolução da rádio também passa pelas novas tecnologias. No Curto-Circuito, uma das minhas lutas era ter webcams. Hoje em dia qualquer miúdo tem uma, mas, na altura, num programa como aquele, um puto entrar em directo tornava-se o herói da escola. Se usasse o telefone, ninguém ia saber quem ele era. A prova disso é que poucos ou ne-nhuns heróis têm sido criados na rádio. A imagem ganhou.

Apresentas a Prova Oral há dez anos. Nunca te fartaste?

Nunca me canso, é uma coisa incrível, o prazer que eu extraio das emissões é absoluto.

Preparas muito os programas?

Quando me perguntam quanto tempo demoro a preparar os programas, a minha resposta é "a minha vida". Nunca preparo perguntas, mas leio sobre os convidados, leio os seus livros, no caso de escritores, por exemplo. Mas não faço muitas perguntas sobre o trabalho deles. Se fizeres perguntas menos convencionais, que não vão na direcção do que eles esperam, tanto melhor. Desconstruir aquilo que alguém pode esperar, é a melhor coisa que podes fazer com um convidado. Eu acho que uma entrevista começa antes de abrirem os microfones, quando o cumprimentas, percebes o carro em que veio, com quem. Uma vez, a entrevistar um professor catedrático de Coimbra de setenta e tal anos, não me lembro do nome, comecei o programa a dizer que tinha um diplomado, catedrático de Oxford e tal... e que estava ali com a sua mãe. Ele não estava a contar que eu o denunciasse, mas a partir do momento em que o disse, teve uma atitude completamente diferente comigo. E disse que não só estava ali com a mãe como tinha sido atleta do Benfica. É nas pequenas vírgulas que está o melhor sumo. Para fazer uma boa entrevista, só preciso da primeira resposta.

Nunca te deu uma branca?

É raríssimo, funciono com pressão alta, como um jogador de futebol.

Já jogaste nalgum clube?

Sim, hoquéi em patins no Fanzeres, onde os meus pais moravam. Era um jogador bastante medíocre. Mas depois joguei em equipas privadas de futebol de salão.

Conheces o Cristiano Ronaldo?

Não, mas já o entrevistei, quando ele estava no Sporting. Já não me lembro bem disso. Mas adorava fazer-lhe uma entrevista agora. Acho que é um vencedor, pouco ou nada me importa a namorada dele ou a dona Dolores... não, a dona Dolores até gostava de entrevistar. Ele é um atleta excepcional. Dou-me bem com o fisioterapeuta dele, o Gaspar. Sabes quem é?

Sim, era também quem tratava dos ossos a José Sócrates.

Sim, esse mesmo. Tudo o que é Figos desta vida já passou pelas mãos dele. Ele disse-me que nunca teve um atleta tão obcecado e obstinado como o Ronaldo. Ficava horas e horas no ginásio, tinham de tirar de lá o animal porque aquilo até lhe fazia mal.

Mas existe uma pequena irritação geral em torno do Ronaldo. Não partilhas disso?

Não, a mim interessa-me o Ronaldo jogador. O resto não quero saber. O que me havia de irritar? Invejá-lo? Talvez, não me interessava ter a fama dele, mas gostava de jogar como ele ou como o Messi. O ciúme entrou em desgraça. Mas eu sempre o fui. Claro que não persigo pessoas, nem as prejudico.

Mas já li que, quando a tua namorada estava na casa dos pais dela, pedias para falar com eles para confirmar.

Sim, mas isso é uma provocação. Sempre usei o humor na minha vida e brinco muito com o facto de ser ciumento. Não acredito no amor sem ciúme. Gosto de discutir, argumentar, de me chatear de vez em quando. Nunca gostei de pessoas consensuais. Quando olho para as minhas referências a nível literário, o Cesariny, Luiz Pacheco, César Monteiro, todos eles vão contra a corrente, são malditos e corajosos. Não há ninguém que não seja audaz que tenha tido êxito.

És um tipo obcecado, como o Ronaldo?

Sim, muito, com tudo. O meu pai acusava-me disso e criticava-me. Dizia-me em tom depreciativo e eu ficava a pensar nisso. Mas depois fui percebendo que o facto de ser um obsessivo pode ser uma vantagem. Se não conseguires concretizar o que persegues, talvez isso resulte em frustração. Mas isso não me preocupa, desde que sinta que fiz tudo para o conseguir. Por exemplo: sempre fui um estudante normalíssimo, de treze ou catorze, e era um grande marrão. E se tirava uma negativa, o que me irritava era ter percebido que não tinha feito tudo para que aquilo tivesse sido evitado, não por ter tirado uma negativa.

Eras marrão? Isso é surpreendente.

Sim, acredito, ninguém me vê a estudar, claro. Mas eu era o tipo de gajo que se tivesse um exame estava uma semana sem sair de casa. Saía só para jogar à bola durante uma hora.

Acabaste o curso?

Não, desisti a meio. Estive em engenharia publicitária e no segundo ano apareceu- -me um convite para vir para Lisboa, para a Rádio Comercial. Já trabalhava na TSF. Quem me fez o convite foi o Luis Montez e eu aceitei logo.

Que tipo de programa?

Era um emprego de sonho: repórter de praia. Dizia como estava o tempo, se a bandeira estava amarela, era um programa de entretenimento. Como deves calcular, não fui um repórter normal. Com aquela equipa, a Ana Lamy, Pedro Ribeiro, Markl e Malato, era natural que eu fosse um anormal. E tornei-me num repórter muito informal e divertido. Todos os dias criava uma história. Passava a ponte 25 de Abril a caminho da Costa da Caparica e já estava a pensar no que ia fazer. Falava de gelados ou de papagaios, uma obsessão absoluta com a história. Nunca tive uma intervenção a dizer "a bandeira está amarela, a praia está boa, e não há vento. É tudo por hoje". Na altura morava em Massamá.

Terra do Passos Coelho...

Sim, mas eu nunca o vi lá, imagina.

Vieste do Porto para Massamá?

Sim. A minha vida tinha mudado, em 48 horas deixei a minha faculdade, namorada, amigos e aluguei uma casa por telefone. A senhoria disse-me que tinha uma linda vista para o rio, o que é incrível. Ainda hoje me interrogo sobre isso, não havia qualquer tipo de vista naquele quinto esquerdo, nem para um lago.

Foi a primeira vez nessa altura que saíste de casa dos pais?

Sim, e aprendi coisas fabulosas, como a importância de ter um frigorífico, que a casa não tinha. E foi o meu vizinho que me ofereceu um velho. Teve um significado muito especial ir viver sozinho, o que acontece sempre que as pessoas vivem sozinhas pela primeira vez, ficam com uma ligação forte com o lugar.

Isso significa que ainda vais a Massamá revisitar, tal como os estudantes fazem muitos anos depois de terminarem o curso?

Não, quer dizer que adoro Lisboa. Só ia dormir a Massamá, nunca saí lá, nunca fui a um bar ou discoteca em Massamá. Ia e vinha de mota.

Andas sempre de mota, mesmo no Inverno?

Mesmo no Inverno, com chuva, granizo ou ventos ciclónicos. E tenho carro, mas está sempre estacionado na minha rua. De mota consigo poupar tempo, que é outra das minhas obsessões. Mas gosto de andar devagar, sou furioso a trabalhar, mas a velocidade não me dá prazer nenhum. Gosto de ser rápido e nervoso, menos a conduzir.

Nunca tiveste nenhum azar de mota?

Espetei-me imensas vezes, uma delas na Praça de Espanha. Colocaram-me um colar cervical e eu fiquei assustadíssimo. O enfermeiro virou-se para mim e disse "olha quem ele é!". Depois disse-me que estava tudo bem. Quando cheguei ao hospital, já tinha um polícia à minha espera para fazer um teste de álcool. É obrigatório!

Que imagem achas que as pessoas têm de ti?

Acho que pensam em mim como um tipo despreocupado, que diz o que pensa, e que faz muitas coisas ao mesmo tempo. Claro que há gente que pensa coisas más. Já tive críticas na rua, mas eu acredito que o ódio gera ódio. Se for uma crítica eu respondo, se for uma boca ingnoro. Até por mail, se percebo o sentido da coisa, se me dizem "és um palhaço", faço logo delete.

Que idade tinhas quando chegaste a Lisboa?

24. Cheguei em boa idade. Conhecia a cidade das publicações que lia. O meu maior vício é a literatura, desde livros a imprensa, lia tudo que era jornais e adorava o Independente dos tempos áureos do Miguel Esteves Cardoso e do Portas.

Conheces o MEC?

Conheço, ele era a minha grande referência e o grande culpado por hoje ser quem sou. E já tive oportunidade de lhe dizer isso. Mas quando estivemos pessoalmente juntos, numa Noite da Má Língua que aconteceu no Teatro São Luiz, praticamente não lhe consegui dizer nada. Não me senti à vontade. Mas foi ele que me introduziu outros universos. O MEC é culpado por eu gostar de Samuel Beckett e Agustina Bessa Luís.

Os teus programas, mesmo que estejas a falar de peúgas, resvalam sempre para o sexo. Depois de me dizeres que és um tipo genuíno quando estás na rádio, que tipo de conclusão se pode tirar disso?

(Risos) Bom, é assim... a nível sexual, toda a gente é muito dependente. Eu sou, e acho que somos todos. E além disso é um tema sempre interessante. Se falas em sexo, é líquido que as pessoas vão prestar atenção. Mas é demasiado redutor dizer que eu só falo de sexo.

Eu não disse isso.

Eu sei, mas já ouvi gente a dizer, a fazerem críticas. Quem o diz, é uma pessoa que não me ouve. Mas aceito isso de que toda a conversa vai dar ao sexo. Toda a gente gosta de falar e de o fazer. Não é necessário ter vergonha nenhuma, mas não sou um tarado sexual... E daí, já tive mais certezas em relação a isso.

Porquê?

Porque, como toda a gente, sou alguém que gosta muito de sexo, e gosto mais de o fazer do que falar dele.

Vês pornografia?

Não vejo tanto como gostaria (risos), não tenho tempo. Mas existem correntes de amigos que fazem questão de que haja bons argumentos pornográficos no meu e-mail. A pornografia faz parte do cérebro de todos os homens, mesmo do Bagão Félix. Aposto que ele também os vê um bocadinho.

Gostas desses filmes com argumento?

Acho que tem de ser o mais básico possível, detesto filmes porno armados ao intelectual. Ela tem de dizer algo que provoca sempre o outro interveniente, e dá sempre a entender que está mesmo a pedi-las. E acontece a magia (risos).

Nunca nenhum convidado se irritou contigo por te teres esticado na conversa?

Uma vez na Prova Oral, uma convidada, chamada Olga Pombo, que é uma professora conceituada, abandonou o programa porque eu comecei a falar de sexo, visto uma das outras convidadas ser uma prostituta. Aos cinco minutos da primeira parte, ela virou-se para mim e disse: "bem, isto não é para mim".

Falaste com ela depois ou pediste desculpa?

Não tinha por que pedir desculpa, não fui ordinário. Nunca o fui, há uma finíssima linha entre ser audaz e atrevido e ser ordinário. A sugestão é sempre melhor do que a revelação. Se calhar não teve capacidade para ser tolerante. Mas não sou nenhum santo, gosto bastante mais da imagem do diabo.

Já passaste por alguma situação embaraçosa em directo?

Há a velha história do meu pai ter ligado para um programa meu em directo. Ele chama-se Fernando Alvim, como eu, e naquela altura, tinha eu treze anos, achou que era bonito ligar. Isto numa época de grande afirmação da minha masculinidade. Eu disse "então como se chama o nosso amiguinho?" E ele respondeu, "é o papá". Cheguei a casa e disse para ele nunca mais entrar num programa sem me avisar. Há uma intimidade que eu gosto de preservar, que é a familiar, e a da minha namorada.

És dado à família?

Não. Mas gosto muito da minha família, só falamos pouco, não ligo todos os dias aos meus pais, nem nada que se pareça. Mas vou muitas vezes a casa. Como meto discos e as festas são quase todas no Norte, acabo por dormir por lá.

Estás a falar das festas dos estudantes e do DJ Fernando Alvim?

Sim, festas de estudantes e populares. Esse é uma core business. Misturo o que é possível e alcancável ao ser humano, Chemical Brothers com Dartacão e Gohst Busters. E vou para os copos com eles, antes e depois. É algo que não dispenso.

És muito boémio?

Sou um boémio profissional. Saio muito à noite para trabalhar, mas não muito por lazer. Bebo vinho, gosto de branco, é o meu combustível. Houve uma fase que bebia muita vodka, mas nunca bebi muita cerveja.

E drogas?

Nunca. Experimentei duas vezes em Amesterdão. Achei que o deveria fazer e pareceu-me bastante interessante e cool. Era uma ganza, mas fez com que percorresse quatro ou cinco quilómetros sozinho. E a partir daí é algo que dispenso em absoluto na minha vida. Mas a maioria das pessoas acha que eu dou na ganza e na cocaína. É como o Futre, quando o vemos falar daquela forma e achamos logo que ele lhe dá. Basta eu falar de forma mais rápida para as pessoas pensarem assim.

Já te atrasaste para algum programa? A tua vida parece bastante caótica para um tipo que tem de estar a horas nos programas em directo.

Já aconteceu: em dez anos de Prova Oral aconteceu três ou quatro vezes. Mas é por isso que tenho mota. Eles põem uma musiquinha, quando me atraso. Mas todas as pessoas que trabalham comigo têm medo disso, estão sempre a pensar que eu não vou chegar a horas. São 18h33 neste momento, temos de acabar esta entrevista daqui a cinco minutos, o meu programa é as 19h, mas vou chegar a tempo, disso sei.

Qual foi o programa que te ficou na memória?

Um dos mais emociantes que fiz foi em directo com o Senhor do adeus, no Restelo. Foi a primeira vez que tive vontade de chorar num programa. Ele estava ali a dizer adeus e a falar em directo para a rádio. As pessoas passavam e acenavam, não só porque era habitual mas porque as pessoas estavam a ouvir a emissão. Foi muito emocionante.

Como foi entrevistar o José Sócrates para o Cinco para a Meia-Noite?

Gostei muito. Estava bem preparado e senti uma química grande. Mas não gostei de ter sido censurado pelo gabinete dele em muitas das perguntas.

Que tipo de perguntas?

Eram coisas sobre os Homens da Luta e outras do género. Eles quiseram ver as perguntas antes da emissão. Claro que não puderam controlar tudo, até porque fiz outras perguntas para além das que estavam previstas. Durante a tarde cheguei a admitir que não queria fazer a entrevista naquelas condições, mas para não prejudicar o programa acabei por fazer. E não me apetecia ser o novo Mário Crespo. Acabou por ser uma entrevista bem divertida.

Gostas de política?

Detesto. E sou completamente apartidário. Já votei no Louçã e no Cavaco. E uma vez participei num jantar do Cavaco Silva porque o Luis Montez, que trabalhava comigo e era sogro do actual Presidente da República me pediu. E eu achei que devia participar.


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