Presidente do Inatel pagou cinco mil euros para dar uma entrevista
por Ricardo Paz Barroso, Publicado em 27 de Agosto de 2011
Vítor Ramalho "voltaria a fazer o mesmo" e contra-ataca: "Isto é um esquema para privatizar o Inatel"
O Inatel pagou cinco mil euros por um trabalho de promoção, que incluiu uma entrevista ao seu presidente, Vítor Ramalho. O trabalho foi publicado em Julho de 2010 na "País Positivo", uma revista gratuita, de carácter comercial, distribuída com o jornal "Público". Apesar do Inatel ser uma fundação privada, o estatuto de utilidade pública e a posse de património público obrigou à publicação do contrato com a revista no portal BASE, onde constam todos os contratos públicos.
"Voltava a fazer o mesmo, é minha obrigação promover o Inatel", disse Vítor Ramalho ao i, acrescentando fazer "todo o sentido pagar para sair num encarte que acompanha aquele jornal". O gestor - nomeado em 2008 por Vieira da Silva -, diz-se disposto a "abrir as portas do Inatel para quem quiser vasculhar toda a documentação". E revelou que "em 2010 o Inatel gastou 300 mil euros em promoção, valor que baixou mais de 50% este ano". "A minha indignação com essa notícia não tem limites", desabafou.
Num registo de contra-ataque em relação às questões do i sobre este gasto (denunciado no blogue "Má despesa pública", auto-proclamado "observatório da má despesa pública"), aquele responsável diz que há "um esquema montado para privatizar o Inatel".
Ramalho associa esta alegada "denúncia" com o facto de "uma associação hoteleira pouco representativa" (a APHORT- Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo) ter pedido ao governo, em carta enviada terça-feira, que "privatize as unidades de alojamentos da Movijovem e do Inatel, acusando as entidades de ''concorrência desleal'' face aos restantes empreendimentos do sector". No dia seguinte, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) defendeu o Inatel, lembrando que o seu associado rege-se pela "legislação aplicável ao sector privado do turismo".
"Com 18 unidades hoteleiras, mais uma de turismo rural e quatro parques de campismo, o Inatel passou a ser muito apetecível", concluiu Ramalho. E "estão a ser gastos 10 milhões de euros do QREN em remodelações". Quanto a orçamentos, "temos cerca de 80 milhões de euros, dos quais 85% são receitas são próprias, contra os 15% de financiamento estatal, que apenas pagam um quinto das actividades públicas a que o Inatel está obrigado, como o Turismo Senior, Turismo Solidário e o programa Abrir as Portas à Diferença", para deficientes. "Querem rebentar com o Inatel", afirmou.
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