Número de sem-abrigo aumenta cerca de 30% desde 2008

por Márcia Oliveira, Publicado em 25 de Agosto de 2011   
Em Portugal, três em cada quatro sem-abrigo são homens e têm entre 40 e 59 anos
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Desde que a situação económica do país piorou, o "número de pessoas que procuram ajuda aumentou entre os 20% e os 30%", disse Nuno Jardim, vice-presidente do Centro de Apoio aos Sem-Abrigo (CASA). "A maior parte são pessoas que estão sozinhas, perderam os empregos, têm dificuldades financeiras e vão pedir ajuda para tomar uma refeição", explicou, realçando ainda que "o conceito de sem-abrigo, de acordo com o plano nacional, engloba essas situações".

Embora seja difícil contabilizar o número total de sem-abrigo em Portugal - a maioria destes indivíduos não fica no mesmo sítio durante muito tempo -, Nuno Jardim refere que, pela observação possível, o número de pessoas que pedem refeições "aumentou à volta dos 20% a 30%" desde 2008. O principal motivo alegado para pedir refeições às organizações é o desemprego, mas nem sempre. "Há pessoas que têm emprego e um tecto, mas o dinheiro que ganham vai todo para a casa ou para o quarto e acabam por não ter dinheiro para mais nada", acrescentou.

Também o presidente da Cais, Henrique Pinto, admite que não é fácil conhecer o número exacto de sem-abrigo mas reconhece que "tem notado um aumento de carenciados". Já a Assistência Médica Internacional (AMI) contabilizou cerca de 12 383 pessoas em situação de pobreza em 2010, o que representa um aumento de 32% face a 2009.

Dessas pessoas, 7% são analfabetos, um terço só tem habilitações literárias até ao 1.o ciclo (quarta classe) e metade não vai além do 3.o ciclo (9.o ano). Além disso, 90% não exercem actividades profissionais e a maioria tem nacionalidade portuguesa. O i tentou contactar a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a instituição Comunidade Vida e Paz para perceber se a crise tem afectado o número de pessoas que pedem ajuda a estas instituições, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição.

Márcia Oliveira com Lusa


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