Depois de Warren Buffet, nos EUA, e dos milionários franceses se terem mostrado favoráveis a um imposto especial sobre as suas fortunas para ajudarem a combater a crise, foi a vez de tentar perceber como é vista a medida pelos mais ricos de Portugal.
De acordo com as pesquisas do Diário Económico e do Jornal de Negócios nem todos os milionários do país estariam dispostos a dar um contributo adicional para pagar a crise.
Américo Amorim, líder da Corticeira Amorim e considerado o homem mais rico de Portugal, revelou ao Jornal de Negócios que não deveria pagar um imposto especial só para grandes fortunas, uma vez que não é rico, mas antes um simples assalariado. “Eu não me considero rico. Sou trabalhador”, afirmou.
Manuel Violas, dono de cinco casinos do país e accionista da UNICER, disse que a sua disponibilidade para contribuir dependerá da dos demais, ao mesmo tempo que lembrou que o grupo Solverde “já paga 50% da receita bruta ao Estado. Portanto acho que esta contribuição já chega. Não posso dizer nem que sim nem que não”, respondeu ao jornal sobre a hipótese de uma contribuição fiscal extra.
Lacónico sobre o assunto foi Joe Berardo, que preferiu salientar que mais importante que o imposto é a criação de postos de trabalho.
Patrick Monteiro de Barros não quis confirmar a sua disponibilidade caso a proposta fosse feita aos milionários portugueses, preferindo questionar se a medida em França não traria alguma contrapartida caso fosse aplicada, como a mudança de perspectiva de Sarkozy face aos Eurobonds.
Já André Jordan, apesar de não se considerar milionário e de considerar o impacto da proposta sobretudo “simbólico”, afirmou que pagaria esse contributo.
Ao Diário Económico, Luís de Mello Champalimaud lembrou que em 1974 existia o slogan, "os ricos que paguem a crise", alegando que com uma Justiça mais eficaz e célere e com uma melhor aplicação do dinheiro dos contribuintes muitos problemas vão ficar resolvidos.
Mais disponível, o patrão da Logoplaste, Filipe de Botton, disse acreditar que face ao momento excepcional que o país vive os empresários portugueses se revelariam favoráveis em relação a medidas que reduzissem as desigualdades, desde que as mesmas fossem razoáveis.
O antigo presidente do Sporting e dono da Herdade do Esporão, José Roquette, mostrou-se favorável à medida, defendendo a criação de uma sobretaxa em sede de IRC aplicável a grandes empresas e aos seus accionistas. Opinião semelhante é a de Henrique Neto, da Iberomoldes, que lembrou já ter defendido que o Orçamento de Estado para este ano devia contemplar um imposto especial para rendimentos acima dos 100 mil euros, sendo o mesmo aumentado progressivamente a partir desse valor.




Rating: 1.0
Actividade em ionline