Multimiliónarios franceses querem pagar imposto extraordinário
Publicado em 24 de Agosto de 2011
Os empresários franceses pedem a criação de um imposto especial sobre os mais ricos
Os empresários criticam, habitualmente, as políticas fiscais dos governos. Mas, neste momento, vê-se o contrário: os ricos estão a pedir aos líderes políticos um agravamento fiscal extraordinário.
Primeiro, o multimilionário norte-americano Warren Buffett aproveitou um artigo de opinião no "New York Times" para criticar a desigualdade na partilha de sacrifícios, apelando à administração de Obama para "deixar de mimar os mais ricos". Agora é a vez dos empresários franceses, representantes das 16 maiores fortunas do país, proporem ao governo que seja criado um imposto especial sobre os mais ricos para ajudar o país a sair da crise.
Entre os signatários da petição estão os presidentes da L''Oreal, Total, do grupo hoteleiro Accor, Danone, do Société Générale, do operador móvel Orange, da Air France-KLM e da Peugeot-Citroën.
"Nós, presidentes ou líderes empresariais, financeiros, profissionais ou cidadãos ricos, queremos a criação de uma contribuição excepcional que afectaria os contribuintes franceses mais favorecidos", escrevem na petição, que será publicada no jornal "Le Nouvel Observateur".
Os signatários pedem um imposto que tenha "proporções razoáveis", com o objectivo de evitar efeitos económicos indesejáveis como a fuga de capitais ou o crescimento da evasão fiscal.
Estes empresários garantem estar conscientes que este imposto "não é uma solução em si mesma" e, por isso, pedem que seja incluído dentro de um "esforço global de reforma", tanto das despesas como das receitas. "Num momento em que as finanças públicas e as perspectivas de agravamento da dívida do Estado ameaçam o futuro da França e da Europa e em que o governo pede a todos um esforço de solidariedade, consideramos necessário contribuir para o mesmo."
Esta petição foi conhecida na véspera do governo francês apresentar as medidas que pretende adoptar para reduzir o défice público e cumprir a meta de 5,7% do PIB este ano, 4,6% no próximo e 3% em 2013. O executivo de Sarkozy deverá apresentar um imposto especial entre 1% e 2% para os contribuintes com rendimentos fiscais superiores a um milhão de euros. Uma medida que deverá afectar cerca de 30 mil contribuintes, e que permitirá aos cofres públicos arrecadar 300 milhões.
Em Portugal, o governo de Passos Coelho optou por lançar um imposto extraordinário para todos os portugueses, equivalente a 50% do valor do subsídio de Natal que excede o salário mínimo nacional. Este novo imposto vai render aos cofres do Estado 800 milhões de euros.
Já o governo de Berlusconi contemplou no último pacote de austeridade uma subida de impostos sobre os italianos com rendimentos anuais mais elevados, a que chamou "taxa de solidariedade".
Sandra Almeida Simões
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