Alberto João quer, mas Passos não se compromete já com apoio na Madeira
Publicado em 23 de Agosto de 2011
Alberto João Jardim quer e pressiona, Passos Coelho não nega, mas também não quer dizer já se vai à Madeira. Oficialmente o primeiro-ministro, na pele de presidente do PSD, ainda não decidiu se vai à Madeira apoiar o líder regional e candidato à última reeleição como presidente do governo regional, mas sofre as pressões da ilha para estar de braço dado com Alberto João Jardim antes das eleições regionais de Outubro.
A visita, a acontecer, não será até ao final do mês. Passos Coelho vai estar em Castelo de Vide para a universidade de Verão do partido, que decorre para a semana, e até lá não tem na agenda nenhuma deslocação à Madeira. Caso vá, será a primeira vez que o presidente do PSD dá, oficialmente e em presença, o apoio ao líder madeirense. E numa altura em que Alberto João é alvo de muitas críticas, depois de o Tribunal de Contas ter encontrado um buraco nas contas da região autónoma devido ao uso indevido de verbas para a reconstrução do arquipélago. Isto para além dos consequentes avisos da troika.
A visita de Passos, enquanto presidente do PSD, não causa estranheza a Guilherme Silva. Ao i, o deputado explica que é natural o apoio e não vê qualquer entrave à presença do líder do partido na Madeira, até porque as relações entre os dois sociais-democratas são melhores do que eram o ano passado, assegura o deputado. Mesmo assim, Passos já foi ao arquipélago duas vezes, uma no congresso do Partido Popular Europeu em Outubro e outra mesmo antes da campanha eleitoral para as legislativas, no congresso do PSD-Madeira.
A presença de Passos ao lado de Alberto João não é, no entanto, indiferente ao parceiro de coligação no continente. José Manuel Rodrigues, líder do CDS-Madeira e vice-presidente do grupo parlamentar, acredita que Jardim é um "problema interno no PSD" e duvida que politicamente o presidente do PSD vá apertar com vontade a mão a Alberto João Jardim. "Os dois não se entendem", diz ao i. As relações entre os dois sociais-democratas levam mesmo o centrista a dizer que, caso o primeiro-ministro dê apoio ao presidente do Governo Regional da Madeira, é só "para a fotografia".
Certo é que com a popularidade a descer o recandidato ao cargo de presidente do Governo Regional quer todo o apoio vindo do continente. Além de que Jardim já tem exigências na carteira. Além de querer parte da ajuda da troika, O líder madeirense já utilizou uma negociação com o governo para acalmar os madeirenses. Depois de descoberta a dívida, Jardim garantiu que ia chegar a acordo com o executivo para aquilo a que chamou um "problema de liquidez".
Ter Passos ao lado podia ser ainda uma ajuda para Jardim alcançar o objectivo para as eleições regionais. O líder madeirense garantiu que caso não vença com maioria absoluta abandona a política. "Se eu não tiver uma maioria para governar, eu vou-me embora da política", disse na tradicional festa do Chão da Lagoa. N. P. com L. V.
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