Europeísmo que nos leva a democracia e a carteira

por Tiago Mota Saraiva, Publicado em 20 de Agosto de 2011   
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Depois de impressionarem o mundo com a polémica em torno da forma como Sarkozy osculava Merkel, estes dois distintos representantes de uma Europa com pouco Mundo, de tez carregada e dedo em riste, anunciaram o que os governos europeus decidirão até Setembro. Prosseguir-se-á a lógica de retirada dos instrumentos de poder dos governos eleitos, diminuindo a soberania e independência dos diferentes países - há poucos anos este aviso valer-me-ia os epítetos de anti-europeu, eurocéptico e até nacionalista, como tantas vezes sucedeu ao PCP.

Se é certo que, em Portugal, a maioria dos fundos estruturais foram gastos em prol de poucos para enriquecer os de sempre, o receio da não inscrição neste espaço europeu falou sempre mais alto para a maioria. Foi assim que aceitámos, sem votar, o Euro ou o Tratado de Lisboa, harakiris políticos embrulhados em europeísmo serôdio.

Hoje sofremos as suas consequências governados por políticas de mente estreita que não sufragamos e por políticos de língua única que não elegemos.

Perante a óbvia constatação que vivemos pior, ensaia-se o argumento que quem paga tem o direito de exigir a liberalização das soberanias, numa contabilidade que tende a esquecer os custos. Quanto nos terá custado em exportações a implementação de uma moeda à imagem do marco alemão? Quanto nos irá custar os juros da dívida ou a recessão imposta por todos estes anos em que não pudemos, por exemplo, desvalorizar a moeda? Quanto nos terá custado abdicar do espaço lusófono em função das restrições à imigração impostas pela UE?

Foi assim que chegámos a esta Europa, onde uma declaração de um governante alemão pode lançar milhares de trabalhadores no desemprego em Portugal.

Arquitecto

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