CDS não está seguro que governo vá suspender TGV

por Sónia Cerdeira, Publicado em 19 de Agosto de 2011   
Vice-presidente da bancada do PSD critica declarações do ministro Álvaro Santos Pereira e teme recuo do governo
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O CDS, parceiro de coligação do PSD no governo, não ficou descansado com as palavras do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, em Madrid, que adiou para Setembro uma decisão sobre a construção da linha de TGV Lisboa-Madrid. "O ministro disse pouco mais que nada. Foi uma má gestão da informação, ir a Espanha dizer que só há uma decisão em Setembro. Não nos deixa descansados", afirma ao i Hélder Amaral, vice-presidente da bancada centrista e deputado na comissão parlamentar de Economia e Obras Públicas. "Se o ministro não quis ir mais longe por falta de dados é uma coisa. Se foi porque não sabe o que vai fazer preocupa-me", assegura.

Do lado do PSD também restaram dúvidas das declarações do ministro: "Não gostei nada das declarações do ministro da Economia acerca do TGV. O governo não pode desdizer-se numa questão tão relevante", escreveu no Facebook Carlos Abreu Amorim, vice-presidente da bancada do PSD. E acrescentou: "O PSD e o CDS garantiram que se tratava de um investimento ruinoso, agora não podem mudar de opinião, de modo mal camuflado, excepto se existirem dados relevantes que a isso obriguem. Ora, tudo o que sabemos sobre o TGV continua a provar que não se deve fazer."

A palavra "suspensão" é agora menos comum no léxico social-democrata. "O programa do governo diz assim tão claramente que vai suspender a ligação Lisboa-Madrid? O governo sempre disse que a linha era para reavaliar", afirma ao i o deputado laranja, Luís Campos Ferreira, presidente da Comissão de Economia e Obras Públicas. No programa do governo pode ler-se: "Suspender o projecto de alta-velocidade Lisboa-Madrid. Poderá sujeitar-se o projecto a uma reavaliação, incluindo o seu conteúdo e calendário, numa óptica de optimização de custos, à luz dos novos condicionalismos, e que deverá ter em conta o estatuto jurídico dos contratos já firmados".

Campos Ferreira admite mesmo que "em teoria é sempre importante estar ligado em alta-velocidade em termos de mercadorias e passageiros. Agora, conseguimos? É rentável? O princípio geral é que sim, mas temos de fazer estudos". E aponta outras soluções para a ligação Lisboa-Madrid, por exemplo, uma ligação através da bitola europeia. "Faz sentido a velocidade alta. Entre o que temos e o TGV há outras coisas no meio", afirma. E esta era uma solução que Pedro Passos Coelho já tinha abordado em campanha eleitoral.

Uma questão que promete aquecer o debate na coligação de governo. Para o deputado do CDS, "mais que frases típicas de amores de Verão, que acabam, é necessário um estudo rigoroso com custos reais". O CDS defendeu em campanha eleitoral a suspensão do projecto de alta-velocidade: "Não tínhamos condições financeiras, era demasiado caro e a utilidade para o país era pouca", lembra Hélder Amaral. Contudo, o vice-presidente da bancada centrista admite que seria necessário que o ministro explicasse "com dados concretos" as condições para a obra poder avançar. "Mas na dúvida, não se pode fazer a obra", diz.

Apesar de haver quem já duvide da suspensão do TGV, o vice-presidente da bancada do PSD, Luís Menezes, garante que "é para manter". "O ministro não se desdisse, deixar a decisão para Setembro não implica que se volte atrás. O ministro espanhol salientou mesmo que Portugal não avança com o projecto porque não tem capacidade para o financiar", afirma ao i.


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