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Como a babysitter mudou a minha vida

por Vanda Marques , Publicado em 22 de Julho de 2009   
Cinema, jantaradas, um pezinho de dança. Tudo voltou a ser possível quando arranjaram uma ama
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A vida de Gisela Campos, Susana Gonçalves, Vera Eloy e Inês Sousa mudou. E não foi por causa de um retiro espiritual ou do Euromilhões. A razão é bem mais simples: babysitters. "Ter um filho 24 horas por dia, sete dias por semana ao nosso cuidado é muito desgastante. É importante ter tempo livre para sair do ritmo deles. Tudo nas crianças é mais acelerado. Eles precisam de muita atenção e querem tudo para ontem", explica Inês Sousa. A bancária de 35 anos recorre todos os meses à babysitter Ana. Enquanto os três filhos - João, de 9 anos, Manuel, de 8, e Maria, de 1 - ficam em casa, ela aproveita para ir ao cinema com o marido, fazer jantares românticos e sair com as amigas. Há sete anos que contrata babysitters. Primeiro procurou em revistas, depois pediu conselhos a amigas, até que descobriu Ana, de 20 anos. Os filhos gostaram tanto da babysitter que quando não a vêem umas semanas perguntam logo por ela. "Com a Ana é só brincadeira. Sei que até quebram regras, deitam-se mais tarde que o normal, mas por uma noite não há problema", conta Inês Sousa.

Ir e voltar A terapeuta familiar Catarina Mexia aconselha todos os pais a terem momentos a dois. "Para o casal é muito importante desligar da rotina do dia-a-dia. Os filhos são uma fonte de stresse constante", diz a especialista. E não é só para os adultos que há vantagens. "As crianças têm de aprender a lidar com a ansiedade da separação, faz parte do crescimento. Caso contrário, em adultos não vão saber gerir as ausências."

Susana Gonçalves dá muita importância a esses momentos, por isso, não cede à chantagem da filha Mariana, de 10 anos. As mensagens de telemóvel durante o cinema a dizer "tenho saudades tuas" ou "gosto muito de ti" servem para relembrar a mãe da sua existência. "Respondo apenas à primeira e mais nada. Ela tem de perceber que também tenho direito de ir ao cinema com as amigas, como ela. A Francisca, como tem 2 anos, não se queixa. Mas digo-lhes sempre onde vou e quando volto", explica a mãe. A terapeuta familiar Catarina Mexia defende que esse é um dos pontos fundamentais. "Os pais não podem desaparecer, isso assusta os filhos. As crianças precisam de se sentir seguras, e saber que os pais não as abandonaram com uma estranha. Como são pequenos, lidam mal com a noção de tempo e devem ser os pais a explicar que vão sair, mas umas horas depois regressam."

"É tudo fita!" Desde 2007 que Susana Gonçalves recorre mais aos serviços da babysitter, Ju, principalmente por motivos de trabalho. Esta mãe, que é psicóloga, nota que cada vez mais os pais receiam sair sem os filhos, o que só causa problemas. "Os miúdos são o centro da vida dos pais, mas não se podem transformar em pequenos tiranos."

Vera Eloy não cede às fitas dos filhos. Muitas vezes sai de casa com o coração na mão, porque o Filipe, de 3 anos, fica a chorar. Mesmo assim não abdica de uma noite por semana com o marido e os amigos. A fotógrafa diz que é mais que justo ter uma noite de adultos, sem o Filipe, de 3 anos, e a Ana, de 1. "Ele fica a chorar, mas é tudo fita. Depois esquece-se e diverte-se com a babysitter", explica a mãe, de 35 anos. A babysitter Ingrid, recomendada por amigas, está em sua casa todos os dias para ajudar com os banhos e o jantar, mas por vezes fica até mais tarde. A fotógrafa confessa que é uma ajuda imprescindível e que melhora a sua relação com o marido. "Se a babysitter não me ajudasse todos os dias, bastava ele chegar quinze minutos atrasado que já ouvia. Viveríamos com muito mais stresse", diz. Vera Eloy olha para a babysitter como um investimento na qualidade de vida da família.

A Babysitter gestora Gisela Campos só descobriu essa mudança de vida este ano e acertou na babysitter ideal à segunda tentativa. Catarina Mendes, de 22 anos, é responsável e divertida. "Tive outra ama que era muito amorosa, mas esquecia- -se da hora de dormir, de mandar lavar os dentes e outras coisas. Agora estou mais descansada." E a Manuela, de 6 anos, agradece. Gosta tanto da babysitter, da empresa Verbos Inúmeros, que chega a pedir que ela fique a dormir lá em casa. Catarina, recém-licenciada em Gestão, diz que o grande segredo para lidar com crianças é ter muita paciência e gostar muito de brincar. A mãe, que é publicitária, diz que a sua vida melhorou e muito. "Antes nem sonhava em ir ao cinema ou jantar com umas amigas. Agora posso e sei que a Manuela vai ficar bem e eu regresso mais feliz, o que só melhora a nossa relação de mãe e filha."

 

Não tem babysitter? Saiba como encontrar uma:


Quer Marias
Telefone: 213 889 048
Online: www.quermarias.pt
Preço: Entre os € 7 e os € 10 por hora

 

Verbos Inúmeros
Telefone: 212 342  888
Online: www.verbosinumeros.pt
Preço: € 6,40 por hora

 

Clube Traquinas
Telefone: 217 579 597
Online: www.clubedostraquinas.com

Como escolher uma babysitter e o que fazer para evitar problemas:
- Devem contratar uma babysitter através de empresas referenciadas ou então escolher uma que já tenha trabalhado com a família ou amigos
- Entrevistar a babysitter é essencial. A terapeuta familiar Catarina Mexia defende que os pais devem elaborar um questionário para perceber como as amas reagiriam em determinadas situações, por exemplo: “Se o meu filho se engasgar, o que é faria?” É importante que saiba fazer a manobra de Heimlich
- apresente a babysitter aos vizinhos, à família e se for preciso ao senhor do café. É importante que os outros a conheçam e que ela sabia que pode estar a ser vigiada por eles
- esteja atento ao menor sinal de instabilidade emocional. Não a deixe trabalhar sem esclarecer o que a está a incomodar e verifique se ela está segura para exercer o trabalho com serenidade
- apesar de muitas vezes a função das babysitters ser mais para brincar a tomar conta das crianças, é importante que os horários de comida, dormida se mantenham
- deve ligar uma vez para saber se está tudo bem e mostrar que não se esqueceu dos miúdos

 

Os três estilos de babysitter

1 – Babysitter enfermeira, mais técnica
São as babysitters mais especializadas em bebés e recém-nascidos. Sabem tudo de enfermagem, decifram os choros dos bebés, sabem o que fazer para controlar as cólicas e qual a melhor maneira de dar banho. Se as testássemos, saberiam os manuais de saúde cor e salteado.

2 – A companheira das brincadeiras
Quando se juntam com as crianças é difícil distinguir quem é o adulto ali no meio. Este tipo de babysitter identifica-se muito com o mundo infantil. A especialidade dela é brincar com as crianças e inventar os melhores jogos. Quer ser amiga das crianças e deixa passar a hora da cama e outras normas

3 – Faz tudo
É a babysitter dos sete ofícios, que não incomoda a mãe para tomar decisões e sabe impor regras e limites. Tanto brinca com as crianças, como consegue lidar com os problemas de saúde e meter todos na cama a horas.

 

O que uma babysitter não deve fazer:
- Corrigir a mãe em frente às crianças. Algumas babysitters podem achar que graças à sua experiência profissional, devem dar palpites ou até corrigir algumas acções das mães, mas isso é retirar autoridade aos pais
- Transmitir os próprios valores. As babysitters devem perguntar sempre aos pais o que devem dizer se as crianças levantarem questões sobre religião, opção sexual ou drogas
- Não se envolver com as crianças. É impossível tomar conta de crianças e não se envolver emocionalmente. Tem de haver um bom relacionamento entre ambas, é importante que a babysitter demonstre carinho e afectividade. Se não o fizer, não conquista a criança 



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