Madeira. Esquerda ataca João Jardim com dívida e políticas de juventude
por Filipe Morais, Publicado em 15 de Agosto de 2011
As eleições regionais estão marcadas apenas para 9 de Outubro, mas na Madeira já há pré-campanha
O Bloco de Esquerda aproveitou o anúncio das últimas medidas de contenção para criticar o governo regional da Madeira pela responsabilidade no resvalar das contas públicas nacionais. Roberto Almada, coordenador regional do Bloco, diz que a Madeira "não pode continuar alegremente rumo ao abismo", porque a região autónoma vive "uma situação extremamente grave e de bancarrota, com uma dívida monumental e uma situação social gravíssima".
Roberto Almada sublinha ainda que "a troika diz que a Madeira contribuiu para o resvalar das contas do país. Esta é a promoção que se faz da Madeira no exterior, pela incompetência e irresponsabilidade do governo regional, pelo desvario das contas públicas permitido pelo executivo madeirense ao longo dos últimos 30 anos".
O líder do governo regional, Alberto João Jardim, não se livra das críticas do PS: Maximiano Martins, o cabeça-de-lista socialista às regionais, acusou Jardim, este fim-de-semana, de ser "mais um Oliveira e Costa". Martins diz-se "corado de vergonha pela situação a que chegou" a sua terra, "ao vê-la colocada ao mesmo nível do BPN, um dos maiores crimes públicos ocorridos em Portugal".
Por isso, o candidato do PS considera que o governo de Alberto João Jardim, "suportado pelo PSD-M, perdeu toda a capacidade para ser um interlocutor válido dos interesses dos madeirenses nas negociações e ajustamentos necessários, quer no plano nacional, quer europeu, para a defesa da Madeira".
O desemprego na Madeira foi outro ponto focado por Maximiano Martins, que esteve presente no acampamento organizado pela Juventude Socialista da Madeira na ilha do Porto Santo. O responsável entende que a situação do "desemprego jovem, que representa mais de 20%, sendo maior que a taxa média de desemprego - visto que um em cada cinco jovens está desempregado - é factor de preocupação para os jovens. A Madeira está a sofrer uma fuga de cérebros, porque os jovens tiram os cursos e não encontram emprego".
O líder da JS-M, Pedro Alves, apoiou a posição do candidato socialista, afirmando no acampamento que as soluções do executivo de Jardim são "totalmente insatisfatórias", porque "o desemprego dos jovens continua a aumentar, não há aproveitamento das competências regionais na área do empreendedorismo, desenvolvimento de programas de estágios, que levem jovens a encontrar emprego".
Pedro Alves critica o governo regional por ter tido "um desaproveitamento em que era impossível fazer menos e a Região Autónoma da Madeira merece muito mais".
O PSD-Madeira não tem reagido às críticas da oposição na região. Para além da tradicional festa no Chão da Lagoa, onde Jardim ameaçou abandonar a política caso não obtenha maioria nas eleições de Outubro, e onde continuou a reivindicar mais meios financeiros para "ajudar a recuperar" as contas públicas regionais, a actividade laranja tem-se ficado por comunicados no site do partido.
Na sexta-feira, reagia aos cartazes do CDS/PP com os números do desemprego na região, referindo que "ao contrário do que diz o CDS em cartazes eleitoralistas, o número de desempregados na Madeira é de 17 374. Antes da entrada em vigor da lei de finanças regionais socialista, era de 8 464".
O PSD-M refere-se ainda ao fecho de empresas: "Conforme o Instituto Nacional de Estatística, o número de empresas dissolvidas este ano na Madeira foi de 1214, mas destas apenas 566 por falência". O comunicado do partido acusa ainda o grupo Blandy de ser um dos "verdadeiros adversários e a alternativa dos autonomistas sociais-democratas nas próximas eleições".
Com Lusa
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