O suicídio do Ocidente
por Duarte Lino, Publicado em 11 de Agosto de 2011
A crise das dívidas soberanas no Ocidente é indício de um mal mais fundo. Pela primeira vez em séculos, os EUA e a Europa arriscam-se a perder o ceptro de líderes isolados da economia global. E se há uma regra natural da história é que a perda da liderança económica é rapidamente seguida da alteração da liderança política e militar. Os EUA terão menos recursos para defesa (sua e nossa) e os países emergentes (com a China à cabeça do pelotão) mais.
O Ocidente tem aceitado concorrer sem barreiras com países que jogam o mesmo jogo mas com regras menos exigentes (ambientais, protecção social, para não falar de valores políticos mais fundamentais) e que põem quantidades imensas de capital à ordem dos governos para as investirem numa lógica de pura estratégia geopolítica. Falar em proteccionismo é um dos tabus actuais mais vigiados. Porém, se um mundo desalfandegado cria relevantes benefícios gerais - do desenvolvimento do terceiro mundo ao aumento do nosso poder de compra individual -, a verdade é que também comporta pesados custos. Desde logo, uma ordem mundial que premeia quem produz com piores métodos nivela por baixo. Se não conseguimos vencê-los com o nosso modo de agir, seremos forçados a baixar-nos até eles. Neste momento de impasse e na iminência de uma transição de poder, a mais elementar prudência recomenda que o Ocidente exija reciprocidade de métodos para continuar com o livre comércio global. Não se enganem, muitos dos nossos concorrentes são na verdade nossos inimigos. Querem depender da generosidade de estranhos?
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Artigo: O suicídio do Ocidente
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