Não deixe que a crise o impeça de viajar

Publicado em 08 de Agosto de 2011   
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Apesar da crise, não deixe de viajar. Ao lado sugerimos-lhe sete hostels, em Portugal e no estrangeiro, onde poderá pernoitar a preços acessíveis. O conceito, diferente do tradicional hotel, é "vender" a cama num tipo de alojamento onde quase tudo é partilhado: o quarto, a cozinha e até a casa de banho. As condições de limpeza e manutenção são idênticas às de qualquer hotel.

Num país onde a auto-estima nacional anda abalada, dá gosto salientar que, em 2010, eram portugueses os três melhores hostels do Mundo.

Cá a ideia é recente, mas já existe há muito nos Estados Unidos da América, na Austrália e em alguns países da Europa. A procura tem disparado com as viagens low-cost. Afinal, os hostels são os low-cost da hotelaria.

São os jovens quem mais procura este tipo de alojamento que oferece uma vasta lista de actividades associadas: organização de festas, promoção de circuitos turísticos, transfer para o aeroporto e até serviço de lavandaria. Quase todos têm wireless e pequeno-almoço gratuitos. Nestes espaços cosmopolitas pode--se encontrar pessoas de todo o Mundo que, num ambiente familiar e informal, trocam contactos e fazem amizades.

Em Lisboa, à boca do metro Picoas, o Unreal Hostel registou em Julho uma taxa de ocupação de 60%.

Para o seu sócio-gerente, "o mais gratificante é a diversidade de culturas, de gentes, de línguas com que lido". António Marcos contou-nos que recebeu um dia um grupo de 60 raparigas judias ortodoxas que não podiam acender luzes ou ligar os interruptores durante o Shabbat - dia de descanso semanal do judaísmo. "Expandir uma rede de hostels a outras cidades do país" é o próximo objectivo deste empresário.

De Picoas seguimos para o Bairro Alto e junto ao Miradouro de São Pedro de Alcântara encontrámos o BA Hostel, de Carlos Matias. O nome tem história. BA vem de British Airways, Buenos Aires e Bairro Alto. Depois de conhecermos a história pessoal do proprietário percebemos como chegou a estas duas iniciais.

Carlos Matias trabalhou na aviação, numa das profissões mais stressantes do mundo, e com a sua saúde em risco partiu para a Argentina para aprender tango. Anos mais tarde, regressou a Lisboa e tornou-se professor desta dança de salão.

Há três anos disse-lhe um amigo, proprietário do prédio onde agora dirige o seu hostel: "Ó Carlos, tenho um prédio no Bairro Alto, preciso de fazer obras compulsivas e já não tenho idade para isso." Um mês depois, Carlos, em Itália e a caminho de um festival de tango, lê numa revista que Portugal tinha os três melhores hostels do Mundo e que seus donos, quando queriam divertir os clientes, levavam-nos ao Bairro Alto. Bingo! Carlos alugou o prédio do amigo e responsabilizou-se pelas obras.

O BA Hostel faz parte da Associação dos Hostels de Portugal, que controla a qualidade dessas unidades. "Internacionalmente temos uma imagem muito boa e não queremos perdê-la", salienta Carlos Matias.


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