Jerónimo Martins alimenta e apoia 1100 funcionários durante 2012

por Sílvia Caneco, Publicado em 04 de Agosto de 2011   
De acordo com a Carta Aberta aos colaboradores a que o i teve acesso, 1500 funcionários pediram ajuda. Casos de menor gravidade ou de colaboradores que solicitaram apoio para empréstimos foram excluídos
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Não se sabe se será de Janeiro a Janeiro, mas estender-se-á pelo prazo máximo de um ano. O grupo Jerónimo Martins vai ajudar 1100 colaboradores em situações de necessidade extrema, dando-lhes apoio nas despesas relacionadas com a alimentação da família - através de cheques ou senhas - e nas despesas de saúde motivadas por doenças graves. Além de garantir que estes trabalhadores não ficarão privados dos bens essenciais, o grupo vai dar aconselhamento jurídico e financeiro e formação em gestão do orçamento familiar para prevenir situações de sobreendividamento destas famílias.

O i confirmou que este Fundo de Emergência Social criado pelo grupo proprietário das cadeias Pingo Doce e Recheio terá "carácter extraordinário", a duração máxima de um ano e não abrange os trabalhadores do grupo na Polónia.

Segundo os documentos internos enviados aos colaboradores - "Carta Aberta" - a que o i teve acesso, cerca de 1500 funcionários pediram ajuda à empresa. Desse total, cerca de 1100 serão ajudados pelo Fundo por se encontrarem em "situações graves ou muito graves", relacionadas com o desemprego do cônjuge, sobreendividamento grave, despejo, perda ou iminência de perda da habitação, doenças graves, violência doméstica, risco de abandono escolar dos menores a seu cargo e até fome ou falta de condições de saneamento básico.

De fora quem quer crédito Quatro centenas de pedidos de apoio recebidos pelos recursos humanos das várias empresas do grupo foram excluídas por não reflectirem "casos de emergência social" ou porque anteriormente essas pessoas já "haviam beneficiado de ajuda financeira por parte do grupo". Houve ainda situações de exclusão por os requerentes reportarem "pedidos de empréstimo para compra de bens não essenciais". O documento não especifica que tipo de bens "não essenciais" são esses.

Na sequência de, desde o início de 2011, o grupo andar a receber cada vez mais pedidos de ajuda dos colaboradores, a Jerónimo Martins convidou, no final de Maio, os funcionários em situações de "necessidade grave e/ou urgente" a exporem as suas dificuldades e a solicitarem apoio. Em apenas 15 dias, de acordo com o documento interno enviado para os empregados em Julho, o grupo recebeu mais de 900 pedidos de ajuda de funcionários - a maioria da cadeia Pingo Doce ou da Logística. Desses 900 pedidos, 200 foram logo considerados de "resolução urgente".

Devido ao elevado número de pedidos de apoio por dificuldades do agregado familiar em pagar as suas despesas essenciais, e por estes funcionários mostrarem um "elevado desconhecimento dos mais elementares princípios da gestão de um orçamento doméstico", o grupo decidiu que uma das áreas fundamentais de apoio será a formação em gestão do orçamento familiar, para garantir que os funcionários aprendem a gerir os seus rendimentos, evitando assim situações de sobreendividamento.

Contactados pelo i, o grupo Auchan (dono da cadeia Jumbo) e a Sonae (dona da cadeia Continente) não esclareceram se estão a equacionar a criação de um plano de apoio social do género.


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