O líder do PS, António José Seguro, afirmou hoje que o seu partido votará favoravelmente o Orçamento Retificativo que o Executivo prometeu apresentar se o documento "for a bem do interesse de Portugal".
Depois das três horas que durou a primeira reunião a sós entre o novo líder do maior partido da oposição e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, Seguro reafirmou ser contra a "política do bota abaixo".
"Estamos sempre do lado da solução dos problemas. Sou contra a política do bota abaixo e não é por o Governo ter essa iniciativa (Orçamento Retificativo) que digo que sou contra", afirmou aos jornalistas após a reunião, salientando que só depois de conhecer o conteúdo do documento tomará uma posição.
"Se o conteúdo da iniciativa for a bem dos interesses de Portugal, naturalmente que terá o nosso voto favorável, se não for terá o nosso voto negativo", resumiu.
O Governo anunciou em julho a apresentação de um Orçamento Retificativo para contemplar as ajudas do Estado à banca, podendo ainda avançar com um segundo retificativo em outubro, na mesma altura da apresentação do Orçamento do Estado para 2012.
Instado a comentar a primeira descida da taxa de desemprego do ano, relativa a junho e que hoje foi divulgada pelo Eurostat (12,2 por cento), Seguro lembrou a sua posição na matéria: "Para quem definiu o combate ao desemprego como uma prioridade máxima, é algo que toca na minha sensibilidade", afirmou.
O recém-eleito secretário-geral socialista reafirmou a defesa de uma "estratégia sólida e sustentável de crescimento económico" que possibilite a criação de riqueza e de emprego e permita o pagamento de "parte dos juros da dívida e da própria dívida".
Já sobre o aumento no preço dos transportes públicos que entrou hoje em vigor, ele decorre do "compromisso no âmbito da troika", lembrou Seguro: "Naturalmente que gostaria que esse aumento não tivesse entrado em vigor, como qualquer português", disse o líder do PS, referindo haver diversas formas para que o setor empresarial do Estado "cumpra com as suas responsabilidades para que o objetivo de redução do défice seja conseguido".
Essa diminuição concentra "grande convergência" entre PS e o Governo, porém, a "maneira como lá se chega encontra perspetivas diferentes", afirmou.
Sobre a compra do BPN pelo angolano BIC, o PS remeteu para mais tarde uma posição.
A descida da Taxa Social Única, uma das medidas previstas para ser tomada em julho, no âmbito do programa de assistência financeira acordado com as instituições internacionais, não foi discutida nesta primeira reunião entre os dois líderes, acrescentou Seguro.




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