À esquina do impossível

Loucura, era o que Hitler tinha de mais humano

por Tiago Mota Saraiva, Publicado em 30 de Julho de 2011   
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O autor confesso do massacre de Oslo tem vindo a ser docemente arrumado no armário dos loucos. Ainda que Breivik tenha passado os últimos anos a produzir um enorme volume de textos de carácter xenófobo, ainda que circulasse com destreza nas redes da extrema-direita europeia e ainda que a sua acção tenha sido meticulosamente preparada ao abrigo de uma vida normal, parece que nada incomodará quem propaga a ideia de que se tratou de um acto tresloucado, perpetrado num país que tal “não merecia”.
Nem mesmo o apoio declarado do eurodeputado da Liga Norte Mario Borghezio ou do membro da Frente Nacional Jacques Coutela – entretanto suspenso para não atrapalhar o new look eleitoral, serve de alerta sobre a extrema-direita europeia, que é, como sempre foi, extraordinariamente violenta. Elevar Breivik ao estatuto de psicopata é muito simpático para o próprio, adoçará a sua pena, não incomodará a progressão eleitoral da extrema--direita e manterá a maioria adormecida.
Acresce que grande parte dos problemas das políticas europeias começam a atropelar-se em declarações de superioridade e supremacia. O tom acusatório de Merkel quando elocubra, ignorando os dados, sobre o número de horas de trabalho em Portugal, o lobrigar nacional sobre as diferenças e alegadas trapalhadas nas finanças gregas ou a mais recente declaração do ministro das Finanças alemão, Schäuble, defendendo que os países “resgatados” devem abdicar da sua soberania, não resolve os problemas com que nos confrontamos.
Ao invés, abrem caminho a problemas bem mais graves, que não são uma novidade para a Europa.


Arquitecto, escreve ao sábado



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