Visto de fora
Comprar tempo
por António Figueira, Publicado em 26 de Julho de 2011
Não se podia esperar que a cimeira do Eurogrupo, de súbito, inflectisse de tal modo o curso da política europeia que a moeda única saísse de vez da crise em que se encontra: por mais dramatizações políticas que se fizessem (e por mais justificação que elas tivessem), os resultados do Conselho de quinta-feira passada seriam sempre limitados.
Mas limitados que fossem, foram cumpridos e deram resultado - a curto prazo: o "pacote" que compreende a redução dos juros dos empréstimos já concedidos pela UE e pelo BCE e a extensão dos seus prazos de maturidade, assim como a autorização conferida ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira de comprar dívida pública nos mercados secundários dos países em maiores dificuldades, foi bem recebido na generalidade dos mercados e ajudou a reduzir a pressão especulativa.
A questão é: por quanto tempo? Este foi o sexto plano de salvação do euro apresentado em seis meses - e, como todos os anteriores, foi descrito pelos seus autores como o último; mas se evitou o pior a curto prazo - o colapso grego -, não atacou a questão de fundo - que é a da incompatibilidade fundamental existente entre a austeridade que é exigida aos países devedores e a necessidade de as suas economias crescerem - para poderem pagar as suas dívidas.
Limitou-se por isso a comprar tempo - a crise segue dentro de momentos.
Especialista em assuntos europeus
Escreve à terça-feira
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