Socialistas. Assis acusa candidatura de Seguro de fraude eleitoral
por Luís Claro, Publicado em 23 de Julho de 2011
O novo secretário-geral do PS vai ser conhecido na madrugada de domingo. Socialistas querem que os dois candidatos colaborem no futuro
Francisco Assis, o candidato que disputa com António José Seguro a sucessão de José Sócrates na liderança do PS, acusou ontem a candidatura do seu adversário político de "fraude eleitoral".
O caso terá ocorrido na secção de Olival de Basto, Póvoa de Santo Adrião. Segundo um comunicado da candidatura de Assis, após a abertura do período de votações, o fiscal "detectou que as urnas já continham boletins de voto". A secção foi de imediato encerrada. "Após a abertura da urna foi confirmada a existência de vários boletins de voto, já preenchidos, assinalados na lista A, de António José Seguro", refere o comunicado. A suspensão das eleições internas do PS chegou a ser equacionada, mas Assis recusou fazê-lo e o processo eleitoral foi retomado do zero, com a urna vazia.
António José Seguro não chegou a reagir à acusação de Assis até à hora do fecho desta edição. Porém, o ex-líder da JS continua a ser o candidato mais bem posicionado para ser o próximo líder do PS. Mesmo entre os apoiantes de Francisco Assis é consensual a ideia de que muito dificilmente chegará a secretário--geral. Seguro tem mais apoios entre as estruturas distritais e locais do partido e conta com a maioria dos autarcas, o que faz prever uma vitória folgada.
Se for eleito, garante um elemento do núcleo duro Seguro, não vai esperar por Setembro - mês do congresso que elege a nova direcção - para assumir em pleno as suas funções. E tenciona estabelecer pontes com a candidatura de Francisco Assis. Uma das preocupações de Seguro será promover uma aproximação aos deputados que apoiaram Assis: o grupo parlamentar será essencial na oposição ao governo.
As eleições internas que terminam hoje também vão eleger os 1857 delegados ao congresso que se realiza nos dias 9, 10 e 11 de Setembro. Na reunião magna será eleito o novo presidente do PS, que sucederá a Almeida Santos, ao fim de quase 20 anos no cargo, e os órgãos nacionais do partido. Até lá, o novo líder irá rodear--se dos homens de confiança, mas José Lello, membro do secretariado em funções até ao congresso e que é composto, na maioria, por apoiantes de Assis, garante toda "a colaboração e lealdade" a Seguro - se for o escolhido dos militantes.
Em relação à futura direcção, Miguel Laranjeiro, um dos homens de confiança de Seguro e deputado socialista, garante que ainda não foi feito nenhum convite, tal como não foram feitos contactos para a presidência do PS.
A campanha interna foi morna e é comum ouvir aos apoiantes de Assis que Seguro também será um bom líder. O estado de espírito que reina no PS é resumido por Capoulas Santos, ex-director da campanha interna de Sócrates e apoiante de Assis: "Não há grandes clivagens ideológicas entre os dois. Ambos têm qualidades. Se fosse possível juntar os dois num só, seria o líder perfeito."
Ana Gomes está ao lado de Seguro mas não deixa de elogiar "as qualidades notáveis" do ex-líder parlamentar do PS. "Espero que colaborem os dois no futuro. Complementam-se e podem ser úteis", diz ao i a eurodeputada do PS.
A partir de segunda-feira, os militantes esperam uma oposição mais dura ao governo de Passos Coelho e pouca condescendência com as medidas de austeridade que ultrapassem o programa da troika. "O PS tem de ser irredutível com as medidas que vão para além do programa da troika", diz um dos deputados.
O novo líder do PS deverá ser conhecido na madrugada de domingo. Só 20 mil dos mais de 115 mil filiados tinham as quotas em dia no início das eleições, o que pode indicar que nem sequer será atingido o número de filiados que votaram nas últimas eleições, em que José Sócrates era o único candidato. A maioria dos socialistas ouvidos pelo i está convencida de que Seguro irá vencer, principalmente pela ligação que criou com os militantes.
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