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Cafetra records. "Para todos os efeitos, somos putos a fazer música"

por Maria Ramos Silva, Publicado em 22 de Julho de 2011   
E não é coisa pouca. Os mais novos tinham 15 anos quando criaram a editora que já hasteou uma bandeira no cartaz do Milhões de Festa
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Salvo rara excepção, e se argumentos extra faltassem, distinguem-se pelos caracóis, mas dialogar com a Cafetra é muito mais que discutir penteados. Times New Viking, Wavves, Japanther, No Age, Lightning Bolt, Big Black e "cenas dos 90s tugas como Radioactive Man". Francisco, Hugo, João Dória, João Marcelo, Júlia, Leonardo, Lourenço, Maria, Miguel, Pedro e os ausentes Sofia e Pestana, não hesitam ao debitar os cardápios aprovados pela Pitchfork com a mesma agilidade com que evocam a independente etiqueta Merzbau ou referências do tempo dos pais (ou avós?) como Woody Guthrie, Grateful Dead e os The Beatles. "Acho que a nossa geração não se define pelos Deolinda. Não queremos ter nada a ver com isso. Somos a internet, não há grande questão a pôr. Se não houvesse internet não havia Cafetra".

Quase reuníamos os 12 justos elementos de uma geração 2.0 que de parva tem nada. O cabelo importa pouco, já se percebeu. Pura coincidência que condimenta o cartão-de-visita mas pouco traz à proactividade de um grupo que se divide entre as artes, o vídeo, o cartoon, a psicologia, o cinema e a biologia celular e molecular. Uma pandilha download a quem ninguém tira o gozo supremo de comprar o último álbum de Tyler the Creator, que professa o muito actual modus operandi "faça você mesmo".

"O que nos define mais é o DIY; fazermos de tudo, termos ajuda de amigos, como o João Chaves que gravou o EP das Pega Monstro. O Cão da Morte gravou o meu EP. E Cochaise gravou o disco dos Passos em Volta que vai sair em Outubro", descreve Ême.

Mas e a idade, que se deixa adivinhar nas mochilas às costas e acaba por baralhar estereótipos quando entramos prego a fundo na conversa? Será que importa ou recebe o mesmo estatuto dos tais caracóis? "Sim, há pessoas que não nos levam a sério por causa disso. Mas também não quero que nos achem piada por termos esta idade", informa Lourenço.

Os mais novos tinham 15 anos quando criaram a etiqueta, em finais de 2008, a partir de um nome que julgavam que significava "prostituta" em português arcaico. A pesquisa deu em engano, mas o nome ficou. "É só uma palavra que inventámos. Costumávamos ir dormir a casa do Junória, o João Dória, e começamos a chamar Cafetra ao espaço", explica Júlia, que hoje representa uma faixa que se situa entre os 17 e os 22. "Para todos os efeitos somos putos a fazer música", acrescenta João Marcelo, ou Ême, "mas isso é irrelevante para acharem que as canções que fazemos são boas, ou igualmente más. Depende do ponto de vista. Mas se calhar se tivéssemos 40 anos não tínhamos nenhuma atenção".

A editora tem fruído de atenção no universo online, centraliza seguidores nas redes sociais e respira existência física na casa de uma das Pega Monstro, no Saldanha. É na morada das manas que compõe a dupla que ensaiam noite fora. Gravam em estúdios de amigos e vendem edições físicas dos EPs durante os concertos e há merchandising para fiéis.

O gosto não se discute e, neste caso, há mais razões para aplaudir que para lamentar, a julgar pela chamada ao cartaz do festival onde o indie mais indie se reparte por cinco palcos a partir de hoje e até Domingo. Em Barcelos celebram-se Milhões de Festa e as Pega Monstro, um das bandas fundadoras da editora junta-se à festa junto ao Cávado, depois de ter passado pelo festival FMI e pelo programa Toca e Foge, do canal Q.

"Têm dado vários nomes ao que fazemos. Acho que lo fi é o mais usado. É um bocado, mas não quer dizer que o façamos todos, nem é bem um género." Melhor que acreditar nas palavras de Miguel é vasculhar os MySpace dos grupos e tirar a prova dos nove. Prevenimos apenas que dificilmente o veredicto será unânime. "Há uma grande amplitude de estilos. Folk, música ambiente, electrónica. Por isso somos uma editora e não uma banda de 12 pessoas.

"Com Pega Monstro tem sido positivo. Depois também há pessoal que não curte nada. Acham que fazemos as canções assim porque somos preguiçosos ou não queremos ensaiar e não percebem que é uma questão estética. Fazemos as coisas primeiro para nos divertirmos", remata Júlia.

Há banda nova na calha, em atenção a afinações ortográficas. Os Egípcios chegam depois do Verão. Por agora, e fora acordos, a Cafetra só não quer acabar a fazer playbacks nos programas da manhã.

Procure a Cafetra Records no Facebook, espreite as ilustrações do Chico para as capas dos EPs em stupidbones.tumblr.com e confira as Pega Monstro ao vivo este Domingo


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