Entrevista

Alexandre Relvas: "As pessoas da política não são as melhores do país"

por Maria João Avillez, Publicado em 18 de Julho de 2009   
Presidente do Instituto Sá Carneiro diz que "a base de apoio do Prof. Cavaco Silva é muito mais ampla que a do PSD"
Opções
a- / a+

Gosta de desafios, mas só se os ganhar. A determinação já o levou longe no mundo empresarial. A energia tornou-o capaz de produzir vinho e bom, no Alentejo. E a vontade da política conduziu-o ao PSD, morada que acarinha e elegeu há muito. É lá que a pedido de Manuela Ferreira Leite dirige o Instituto Sá Carneiro. Alexandre Relvas, 52 anos, diz que fez dele "a melhor e mais inovadora plataforma política do país". Talvez por isso esteja tão confiante no "bom caminho do seu partido e nas qualidades pessoais e políticas da sua líder". Vale a pena ouvir este eleito de Cavaco Silva - sobre o qual o seu mutismo é aliás absoluto - discorrer em voz alta sobre a política, o PSD, o país, o futuro.

O resultado das europeias apanhou o PSD desprevenido face ao calendário do próprio partido?

O decorrer da campanha e as reacções que se sentiam das populações criaram uma expectativa clara de que os resultados podiam ser favoráveis, embora as sondagens não o traduzissem. A percepção que se tinha da reacção da generalidade das pessoas era muito positiva para o PSD, ao contrário da reacção dos media, que sobrevalorizaram a capacidade da campanha do PS. Os resultados surpreenderam o país, e o PSD começou a ser encarado como uma alternativa real de governo - ou seja: não só as sondagens não traduziram a realidade, como os media não traduziam o pensamento do país, tão influenciados estavam pelo país imaginário, criado pela propaganda do governo. E veja-se nas semanas seguintes às eleições europeias como a atitude mudou em relação ao PSD...

Insisto: essa vitória, face ao estado de preparação interna do PSD, não veio cedo de mais?

Não. O PSD tem desenvolvido um trabalho sério e estruturado em várias frentes. Deu várias vezes sinal disso com propostas relativamente às PME, aos investimentos públicos, à educação e à saúde. É bom não confundir a propaganda do governo com a realidade. Esse trabalho já se revelou nestas eleições: cinco pontos de diferença é muito significativo.

Vamos então ao trabalho. Como foi usado o tempo entre o Verão 2008 e a primavera de 2009 no Instituto Sá Carneiro (ISC), presidido por si?

O ISC é um centro de reflexão, que visa contribuir para a consolidação de uma alternativa política, juntando dezenas e dezenas de pessoas?

...escolhidas por quem?

Convidadas por mim e pelos meus colegas da administração, em regime de apoio voluntário. Há muitos jovens profundamente desiludidos com a política deste governo, muitos professores universitários, médicos, funcionários públicos, quadros de empresas.

O que é que lhes faz crer - a eles - que é no PSD que encontram a boa morada?

Tomámos posse em Agosto tendo como primeiro objectivo repensar a função futura do instituto. Em Outubro iniciámos um conjunto de projectos contando desde então com cerca de 100 pessoas, a trabalhar de forma sistemática, divididas por várias equipas. Esta adesão, que foi crescente, é reveladora de uma forte vontade de mudança. Há cada vez mais portugueses, em particular jovens, que não se revêem na actual maioria e que não lhe querem dar uma segunda oportunidade. Muitos destes jovens mais empenhados na vida política encontraram no ISC um espaço de informação, participação e debate para apoiar uma nova alternativa política.

O que norteou tudo isso?

A ideia era revigorar o instituto promovendo o debate e a reflexão política, numa lógica nova, participada, aberta e em rede, tirando partido da internet. Criou-se assim uma plataforma política que é única em Portugal. O site do Instituto é sem dúvida a plataforma mais inovadora e mais ampla de discussão política em Portugal. Esta plataforma - que conta com dezenas de depoimentos, vídeos, comentários, teve mais de 100 mil visitantes ao longo destes meses. Constitui hoje, de facto, a sede do instituto. A iniciativa mais recente foi o lançamento do blogue "Novas Políticas" em que intervêm Pacheco Pereira, Paulo Rangel, Nogueira Leite e mais de uma dezena de bloguers da nossa área política....

...não tem um nome novo para me dar?

Tenho: Miguel Morgado, Eugénia Gambôa, Pedro Picoito, Luciano Amaral, Maria João Carioca, António Ramalho, Manuel Pinheiro, Filipe Ravara, Rosário Águas... Alguns já estão na política, outros têm a sua vida profissional, mas todos eles têm colaborado com o ISC.

Como é que a líder do partido acompanha o seu trabalho?

Começou por nos fazer o desafio de revitalizar o ISC, criando um espaço aberto à sociedade com capacidade para apresentar novas propostas de políticas públicas. Esse trabalho foi sempre feito com enorme autonomia, mas também com uma atenção muito próxima da presidente do partido. A Dra. Manuela Ferreira Leite esteve sempre disponível e teve sempre uma palavra muito forte de incentivo. Apresentámos-lhe recentemente a conclusão dos trabalhos realizados, no âmbito do projecto Portugal 2020, com propostas de políticas sectoriais.

Preocuparam-se com o que se chama a "identidade" do PSD?

Claro, foi daí que partimos. Com a convicção de que o PSD tem de a reforçar. Paralelamente a uma reflexão programática, promovemos um debate ideológico. Acreditamos numa nova narrativa e em novas ideias para responder às grandes questões do nosso tempo e que é fundamental reafirmar as novas diferenças em relação ao pensamento socialista.

Falou de identidade, evocou a ideologia. Mas nós ouvimos todos os dias dizer que o PS e o PSD "são iguais". Afinal não são?

Digo-lhe já quatro ou cinco áreas em que há clivagens totais e com certeza que se irão reflectir no programa do PSD?

Por exemplo?

A visão do Estado e a da sociedade civil. O PSD valoriza a sociedade civil. Acreditamos nas pessoas, na liberdade para construírem com autonomia o seu destino. Mais que no Estado, acreditamos na iniciativa e na capacidade dos cidadãos e das empresas para garantir o nosso futuro. Uma segunda área de clivagem total é que ao igualitarismo do PS contrapomos a igualdade de oportunidades e a mobilidade social. Repare na profunda injustiça social que é a pobreza infantil, o abandono escolar, o primeiro emprego dos jovens... barreiras que limitam significativamente a igualdade de oportunidades em Portugal.

Mas acha que o governo não dá emprego porque não quer?

O Estado pode intervir mais activamente, reduzindo o custo para as empresas do emprego dos jovens! São problemas que têm de merecer atenção e não tiveram resposta suficiente ao longo dos quatro anos do governo. Um em cada cinco jovens com menos de 24 anos está no desemprego. E a quem ouvimos falar da pobreza infantil? Dos jovens com menos de 17 anos 21% são pobres. O que provoca óbvias e significativas limitações para a vida. Quanto ao abandono escolar - que era de 39 % quando o governo iniciou funções - hoje cifra-se em 36%. Baixou três pontos quando o PS prometera reduzir para um terço! Ao igualitarismo contrapomos a igualdade de oportunidades e a mobilidade social. A sociedade rígida de hoje tem de evoluir para uma sociedade dinâmica que dê oportunidades a estes jovens.

Mais clivagens?

Eu já lá ia: a terceira clivagem refere-se às propostas fracturantes do PS e à sua tentativa de nos fazer evoluir legalmente em termos de costumes. A estas, o PSD contrapõe a valorização da família, que é, em todas as suas dimensões, o suporte base da sociedade. O que tem, por exemplo, impacto em termos das políticas sociais, para tentar reduzir a institucionalização com novas formas de intervenção da família. O que nos leva também a dar valor à natalidade, que tem caído drasticamente. Em 2007, a natalidade foi pela primeira vez mais baixa que a mortalidade. Nasceram 102 mil pessoas. Em 1980 nasceram 160 mil. É mais importante falar da natalidade para o futuro do país, ou promover propostas fracturantes? Outro ponto fundamental é a sustentabilidade: é preciso medir as consequências a médio e longo prazo das decisões tomadas - e não me refiro apenas aos investimentos públicos -, cujo custo irá cair sobre as próximas gerações. Já vamos deixar aos nossos filhos um país pouco competitivo e com uma população com um nível muito limitado de educação: 57% dos portugueses têm apenas o ensino primário e só 31% completaram o secundário. Nos últimos anos aumentámos significativamente o endividamento face ao exterior. É necessária uma nova perspectiva do contrato intergerações no nosso país.

E finalmente?

Há ainda outro ponto fundamental, que tem a ver com a necessidade de uma visão global do país. O governo só valorizou o litoral e abandonou dois terços do país. O PSD deve apresentar uma nova visão da coesão económica e social regional: é necessária uma política de desenvolvimento regional, valorizar a agricultura; é possível não ser economicista nas políticas de saúde, nem secundarizar as pessoas que vivem no interior. Se falar com médicos, verificará por exemplo que a taxa de sobrevivência oncológica pode depender do código postal. É verdade! Se o doente é do interior, a sua capacidade de sobrevivência será menor. Ora o país tem um dever de solidariedade com o interior.

Duas visões diferentes que irão envolver escolhas distintas?

Sim. A escolha é simples: pode-se querer um país em que prevalece um Estado que absorve 50% dos seus recursos, com uma influência generalizada na vida económica e social, e em que se paga 24% mais impostos que a média comunitária. Ou querer um país em que prevalece uma sociedade civil dinâmica, em que se valorizam as empresas - nomeadamente as pequenas e médias -, a iniciativa, o risco e o mérito individual. Em que a liberdade e a responsabilidade dos cidadãos é um valor fundamental.

E pode - e sabe - o PSD pôr tudo isso em prática? Sei que não pertence à direcção, mas que recomendaria hoje ao PSD para concretizar esse universo de mudança?

Há dois factores, a meu ver fundamentais: apresentar um programa estruturado de governo e uma equipa...

Mas isso prende-se com os timings particulares da Dra. Manuela Ferreira Leite, que tem os seus próprios calendários. Acha que já está na altura de publicitar o programa e a equipa? Há atrasos?

Não. Estamos a três meses do acto eleitoral e há já muito trabalho feito. Há agora uma equipa chefiada pelo Paulo Mota Pinto a fazer a síntese de todo esse conjunto de propostas, visando um programa político para a próxima legislatura. São aliás muito claras as grandes prioridades de um programa político que tenha em conta a situação do país.

Já as disse acima?

Não. Tracei um quadro geral onde se destaca o que separa o PS e o PSD em termos de valores. Deverá haver também diferenças em termos de causas?

Descendo ao detalhe...

Descendo ao detalhe, a primeira grande causa tem de ser o emprego. O país tem de se mobilizar para reforçar a competitividade e aumentar as exportações, em particular das PME. Só assim será possível criar emprego de forma sustentável. A segunda prende-se com as novas respostas em relação à pobreza, em especial dos jovens e idosos. É verdade que o governo procurou dar resposta em algumas áreas, mas não foi suficiente: é preciso ouvir as instituições de solidariedade social, valorizar as suas propostas, promover uma intervenção mais descentralizada, valorizar a família. A terceira causa fundamental é o ensino secundário. É inaceitável que só 53% dos jovens entre os 20 e os 24 anos tenham acabado o ensino secundário. É inaceitável que um em cada três jovens abandone o ensino. Somos um país que trata mal os seus filhos. A saúde é outra área prioritária. Há 600 mil pessoas em Portugal em listas de espera, 150 mil das quais de cirurgia. Há 500 mil pessoas sem médico de família.

Por favor, não me vai dizer que a culpa é deste governo, como se o PSD nunca tivesse passado por lá! E quando o PS teve um bom ministro da Saúde chamado Correia de Campos!

As questões que tenho apontado também são fruto e resultado da política destes quatro anos. Não nos esqueçamos de que este governo teve a legislatura mais longa, beneficiou de uma maioria absoluta e teve uma cooperação com o Presidente da República como poucos no passado. Condições como nunca houve!

Que rostos para essa vontade toda? Há necessidade de gente nova e qualificada, mas ao que parece ela nada quer com a política...

Um dos grandes desafios da Dra. Manuela Ferreira Leite é mobilizar uma equipa! Mas estou optimista. Não haverá dificuldade em criar uma equipa.

A questão do virar de costas à política dos jovens e menos jovens não deveria merecer reflexão?

A política é uma actividade de uma enorme nobreza, mas também extraordinariamente exigente em termos pessoais. Nos últimos anos, por exemplo, pude acompanhar alguns políticos - o Prof. Cavaco Silva, o Prof. Rebelo de Sousa, o Dr. Marques Mendes e agora a Dra. Manuela Ferreira Leite - e vi que o que ela exige é quase para além dos limites aceitáveis! Claro que há a recompensa de prestar um serviço público, que é extremamente gratificante. Mas também há deslealdades ilimitadas, ambições desmedidas, intrigas sistemáticas. Estou de acordo que as pessoas da política não são as melhores do país e que nas ONG, nas universidades, nas empresas, a média de pessoas qualificadas, capazes, empenhadas, é superior. A relação com a imprensa é quase sempre dificílima, há demasiada especulação. Para além disso, o exercício da política é muito mais conjuntural e circunstancial do que de defesa de causas.

Já agora, com esse discurso tão estimulante quanto ao surgir de gente nova para o PSD, você estaria disponível? Lobo Xavier disse aqui há dias que "há-de estar mais disponível" e "mais cedo do que se pensa". Você também?

Eu tenho estado a trabalhar activamente no ISC. Dentro dos limites que me impõe a minha vida empresarial. Sobre uma maior ou total disponibilidade para a política, dou-lhe uma resposta à Lobo Xavier: eu também "hei-de estar" mais disponível! Mas não agora. Neste momento, os meus compromissos profissionais impedir-me-iam de ser deputado.

Todos os outros podem dizer o mesmo!

Podem, é uma questão de opção, somos livres de as fazer. Os meus actuais compromissos e a motivação que sinto pela vida empresarial impedem-me de me dedicar exclusivamente, ou mesmo principalmente, à política.

Até quando?

Até ver.

E se for convidado a integrar um governo, se o PSD ganhar?

Não faço especulações. Isto dito, a política é uma actividade para a qual também me sinto fortemente motivado. Não me é indiferente o que se passa no meu país, tenho um prazer forte no debate político. Mas não posso de modo algum ir para além do que faço actualmente. No outro dia o Pacheco Pereira, num artigo notável sobre a escolha dos deputados, referia: é preciso trazer para a política pessoas com vida e profissão. Pode dar-se um contributo de vários modos: no governo, no Parlamento ou no partido, mas também numa junta de freguesia ou num centro de reflexão! Devemos estar disponíveis para a vida pública, é uma responsabilidade de todos nós. Mas não queiramos profissionalizar toda a intervenção na política! Há um segundo aspecto que o Pacheco Pereira também referia: é que, além de pessoas com vida e profissão, é preciso gente diversificada. Académicos mas também funcionários públicos, gente das PME, gente da agricultura... para que os portugueses se revejam naquelas caras, naqueles discursos, naquela maneira de estar.

Falou há pouco em intrigas e deslealdades. As oposições internas no PSD estão mais sossegadas?

Há a percepção clara, em todo o PSD, de que é necessário o partido estar unido?

Com certeza, mas estará?

Penso que sim.

E a desinformação?

Isso é uma característica da política, a desinformação é sistemática. Mas assim como o país, o partido também acredita que a Dra. Manuela Ferreira Leite, com a sua força tranquila, honestidade, perseverança, coerência, é uma candidata muito forte a primeira-ministra.

Que acha que deve ainda aperfeiçoar?

Para transfigurações já chegam as do primeiro-ministro! Foi ridículo. Acho que a Dra. Manuela Ferreira Leite tem sido absolutamente genuína e como tal se deve manter. Exactamente com o mesmo tipo de atitude. Acredita numa forma de estar na política, deve mantê-la, é uma questão de princípio. O país é politicamente maduro, percebe o que é a propaganda e a travestização das posturas políticas.

Você é um eleito do Presidente da República. Sabe-se que ele não fala nem vê a líder do PSD, mas Cavaco fala consigo: de que falam habitualmente? Como falam? Porque falam?

A relação que mantenho com o Presidente da República é totalmente privada.

Há quanto tempo não o vê?

Vejo-o com alguma regularidade, umas vezes ao almoço, outras encontro-me com ele...

...em casa dele?

Não, normalmente em Belém. Mas não especulo sobre isso, porque a nossa relação é totalmente privada.

Mas justamente o Presidente tem consigo essa relação. Alguma vez foi intermediário entre Belém e a direcção do PSD?

Não sei nada sobre a relação do Presidente da República com a Dra. Manuela Ferreira Leite. Mas, conhecendo-os a ambos, tenho a certeza que não têm nenhum tipo de contactos políticos para além dos que são públicos. Nunca isso me foi pedido, nunca fui intermediário de nenhum tipo de recado do Presidente para a Dra. Manuela Ferreira Leite. Nunca.

De que fala com o Presidente?

São temas privados, conversas privadas.

 

Falam de netos, não é? Bom, em Outubro haverá um novo governo. Qual é o pior dos problemas com que esse novo governo se confrontará se for vosso?

A grande questão da próxima legislatura, o tema político central, será sem sombra de dúvida a consolidação orçamental. Hoje a despesa pública é de 50% do PIB, o défice previsto para este ano é de 6,5% do PIB e em 2010 de 6,7%. O próximo governo vai ter de apresentar uma proposta credível de consolidação orçamental. A proposta que eu faria - e a Dra. Ferreira Leite já foi clara sobre isso - é que o reequilíbrio orçamental deverá ser conseguido pela redução da despesa e não através do aumento da carga fiscal. Que foi a base da redução do défice público realizada pelo actual governo.

Se reduzir a despesa, reduz o consumo e reduz o investimento público e aumenta o desemprego?

Naturalmente que a estratégia de consolidação orçamental deve depender da evolução da recuperação económica, para não potenciar o desemprego.

Que opina sobre José Sócrates?

Procura apresentar-se como um político dinâmico e moderno. Sobrevaloriza a propaganda, chegando a acreditar nela. Errou profundamente em termos de opções políticas. Não percebeu a realidade económica antes da crise, não a percebeu durante a crise. Não atendeu suficientemente aos problemas sociais. Sobrevalorizou algumas decisões, como o plano tecnológico e os grandes investimentos. Centrou a sua intervenção nos grandes projectos, nas grandes empresas, nos grandes investimentos, e não se preocupou com as pessoas, com as pequenas e médias empresas, com a vida real do país. Ser crítico do governo não me impede porém de referir que nalgumas áreas houve resultados que não posso deixar de considerar positivos: a reforma da Segurança Social, as Novas Oportunidades, o programa de construção de barragens, o esforço feito em termos de energias renováveis. Considero também positiva a generalização do ensino do inglês, a revisão da legislação laboral, o modo como decorreu a Presidência Portuguesa. É criticável também a prática política do governo. E de novo aqui há uma escolha a fazer entre o PS e o PSD: querem os portugueses voltar a ter ou não uma prática política do governo assente na intimidação e no conflito sistemático? Preferem uma política baseada na propaganda ou na verdade? Querem ou não aumentar a transparência do Estado, querem um governo com uma visão nacional ou um governo do litoral, um governo dos grandes investimentos e das grandes empresas ou um governo que também valoriza as PME?

O país já esqueceu a triste experiência dos anteriores governos do PSD?

A Dra. Manuela Ferreira Leite tem uma imagem muito forte como política, a qual também resulta da intervenção rigorosa que teve como ministra das Finanças. É fácil criticar decisões de há cinco ou dez anos fora do contexto em que foram tomadas! Tomou com certeza as decisões que em consciência considerava melhores para o país. No caso da Dra. Manuela Ferreira Leite ninguém tem dúvidas. Julgo que o primeiro-ministro devia preocupar-se mais com as suas políticas que com a líder do PSD! O país tem dela uma imagem de honestidade e rigor, o que no momento actual é fundamental.

Santana Lopes vai ganhar as eleições?

Penso que sim. Há uma enorme desilusão em relação ao trabalho de António Costa em Lisboa, e Santana Lopes está a fazer um trabalho estruturado de preparação de um programa com uma nova visão para a cidade. Até agora tem surpreendido pela positiva.

Se a Dra. Manuela lhe pedisse conselho em caso de vitória, defenderia uma coligação com o CDS ou um governo minoritário?

O PSD deve lutar por uma maioria absoluta. Não havendo, penso que é natural uma aliança com o PP. Uma aliança de governo ou, não sendo de governo, de incidência parlamentar. A aliança de governo garante mais estabilidade. Mas deve-se trabalhar e lutar para ter uma maioria absoluta.

O PSD, sozinho ou em coligação, não chega para reeleger Cavaco. Como será?

A base de apoio do Prof. Cavaco Silva é actualmente muito mais ampla que a do PSD. É hoje inequivocamente o político com mais credibilidade em Portugal. Os portugueses sentem uma enorme confiança em relação à intervenção do Presidente como garante do normal funcionamento do sistema político.



Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close