Visto de Fora

O euro é uma bicicleta

por António Figueira, Publicado em 19 de Julho de 2011   
Opções
a- / a+
Antigamente dizia-se que a construção europeia era como uma bicicleta: se parasse, caía.

Hoje o euro está como a velha bicicleta da propaganda: se nada lhe acontecer, acaba.

Por muito que custe a alguns habituarem-se à ideia, a crise do euro só tem uma de duas saídas possíveis: para trás, em direcção às antigas moedas nacionais, ou em frente, no caminho de "mais Europa", de um progressivo federalismo fiscal, para já sob a forma de "eurobonds".

Na altura em que foi criada, os responsáveis políticos da União não o assumiram, mas a moeda única tem uma lógica neofuncionalista, spills over outras áreas da política económica - ou seja, a política monetária "infecta" outras áreas da política económica ao ponto de estas não poderem permanecer na esfera nacional, seja isso a prazo, e de forma "virtuosa", seja de imediato, e por via de uma crise como a actual.

Porque este dilema não se põe depois de amanhã: põe-se já hoje (os "mercados" são muito mais despachados que o Conselho Europeu a decidir...).

O problema é que continua o mesmo: a falta de vontade dos mais ricos, e da Alemanha em primeiro lugar, de fazer funcionar esse tal "federalismo fiscal" - ou seja, de transferir dinheiro para o Sul.

O problema é político antes de ser económico: a Alemanha foi coagida a aceitar o euro, mas os alemães não foram convencidos da sua bondade (e, na política, o voluntarismo tem sempre um preço).

Especialista em assuntos europeus


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close