O despertador made in Grécia para acordar a Europa em semana decisiva
por António Rodrigues, Publicado em 18 de Julho de 2011
A secretária de Estado norte-americana foi ontem a Atenas dar o apoio dos Estados Unidos ao governo grego e às suas reformas, dois dias depois do presidente Barack Obama ter colocado Grécia e Portugal no patamar de exemplo negativo que as agências de rating não devem confundir com o seu país. "Os EUA apoiam com força a determinação do governo de George Papandreou para realizar as reformas necessárias para colocar as finanças da Grécia em boa forma", afirmou Hillary Clinton, na conferência de imprensa conjunta com o ministro grego dos Negócios Estrangeiros, Stavros Lambridinis.
As palavras da chefe da diplomacia norte-americana surgiram num dia em que Papandreou resolveu acordar a Europa e apelar a "medidas corajosas" para o futuro da União Europeia. "Chegou a hora da Europa acordar", afirmou o primeiro-ministro numa entrevista à edição de domingo do diário "Kathimerini". Garantindo que o seu governo conseguiu "não deixar a Grécia entrar em bancarrota", Papandreou pede agora aos líderes europeus que ajam: "No último ano e meio, tenho reiterado continuamente aos nossos parceiros que devemos tomar decisões corajosas colectivamente, não apenas para o futuro da Grécia mas para a Europa como um todo".
"Estamos a tentar tudo o que podemos para evitar" a queda da Grécia, afirmou ontem a chanceler Angela Merkel, para quem é necessário um maior apoio privado ao plano de resgate financeiro para a Grécia: "Quanto maior for a contribuição dos credores privados, menos provável é que sejam necessários outros passos". Para a chanceler alemã, o problema grego é "único por causa da dívida muito, muito grande" do país.
Também Oli Rehn, o comissário dos Assuntos Económicos e Monetários, aproveitou a imprensa dominical para criticar os mercados por, "de forma injustificável", extrapolarem as dificuldades que atravessa a Grécia para a Irlanda. Num artigo no irlandês "Sunday Business Post", o comissário escreve: "As inegáveis dificuldades encontradas no programa de assistência grego não devem ser generalizadas".
Outro jornal grego, o "Ethnos", cita o director do departamento europeu do Fundo Monetário Internacional, Poul Thomsen, o mesmo que liderou a equipa do FMI que esteve em Portugal e lidera a equipa que negoceia com o governo grego. "A dívida grega é sustentável mas está, como costumamos dizer, no fio da navalha. As políticas têm de ser aplicadas tal como foram planeadas ou a sustentabilidade da dívida será posta em causa", afirmou Thomsen.
Merkel já fez saber que só vai à cimeira extraordinária das nações da zona euro, marcada para quinta-feira, em Bruxelas, se houver acordo sobre um novo plano de resgate financeiro para a Grécia. "Só irei se houver resultado", disse.
De acordo com o "Financial Times", correm duas negociações paralelas em Bruxelas. A dos estados-membros com a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu para conseguir forçar os privados a participar em parte do esforço do plano de 115 mil milhões de euros para a Grécia e, assim, aliviar o fardo dos contribuintes europeus. A outra negociação, em Roma, envolve os negociadores da UE e um consórcio de bancos detentores de dívida grega para trocar os actuais títulos por novos títulos de maturação mais longa e para implementar um plano de recompra de títulos, onde o fundo de resgate da zona euro será usado para recomprar dívida grega no mercado primário.
Os socialistas europeus, por seu lado, apresentaram ontem uma solução para resolver a crise das dívidas soberanas através da criação de eurobonds comuns aos 17 estados da zona euro, permitindo mutualizar os riscos e proteger os estados mais fracos. A proposta foi avançada por 13 líderes socialistas.
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