Kadhafi está pronto para deixar o poder, afirma ministro francês

por Pereira Sara, Publicado em 13 de Julho de 2011   
Filho de Kadhafi assegura que Sarkozy quer formar governo de transição líbio com "homens da França"
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O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Alain Juppé, disse ontem, em entrevista à rádio France Info, ter recebido, em Paris, enviados do regime de Muammar Kadhafi que consideram que o líder "está disposto a deixar a Líbia". Especificando que não se trata de "uma verdadeira negociação", Juppé sublinha que "a saída para a crise passa pela saída de Kadhafi do poder" e que o fim da liderança que dura há 42 anos é um dado adquirido: "A questão não é saber se Kadhafi vai embora, mas como e quando", afirmou o chefe da diplomacia francesa.

Saif al-Islam, filho do líder líbio e porta-voz do regime, confirmou o envio de emissários líbios a França ao jornal argelino "El Jabar" e assegura que as negociações estão a acontecer com Paris e não com os rebeldes. "Recebemos, por intermédio de um enviado especial que se reuniu com o presidente francês [Nicolas Sarkozy], uma mensagem clara de Paris", assegurou, acrescentando que Sarkozy terá dito ao emissário líbio que "fomos nós que criámos este conselho [Nacional de Transição] e sem o apoio, o dinheiro e as armas da França este não existiria". Saif al-Islam adianta ter informado o governo francês "oficialmente de que queriam instaurar um governo de transição na Líbia" e o presidente Sarkozy disse ao emissário de Kadhafi que tem uma lista com nomes de "homens da França" para o governo líbio.

François Fillon, o primeiro-ministro francês, afirmou ontem na Assembleia Nacional que uma solução política para o conflito na Líbia "começa a ganhar forma", durante o debate para aprovar a continuidade da participação da França na imposição da zona de exclusão aérea ditada pela Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU. Os deputados votaram favoravelmente o prolongamento da operação militar por mais quatro meses. "Que fique claro: nunca dissemos ou pensámos que uma intervenção na Líbia fosse fácil e que seria concluída em alguns dias", disse Fillon, que considerou atingidos os principais objectivos da missão internacional, como seja a protecção dos residentes de Benghazi.

Fillon impôs condições ao governo líbio para suspender as operações militares, como seja "um cessar-fogo autêntico e verificável, que suponha um regresso das forças de Kadhafi às suas bases, o fim dos abusos contra os civis, o livre acesso da ajuda humanitária e, por fim, a retirada do coronel Kadhafi do poder".


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